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De olho no crédito, governo estuda novos cortes no IOF

Equipe econômica não descarta reduzir outros impostos, dependendo do cenário para 2009

Renata Veríssimo, O Estadao de S.Paulo

28 de novembro de 2008 | 00h00

Para injetar mais recursos na economia, a equipe econômica estuda cortar tributos, como uma nova rodada de reduções nas alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A equipe econômica avalia que há margem para novos cortes de IOF, caso seja necessário, mas, neste momento, devem continuar sendo pontuais. O governo está monitorando os setores econômicos e, caso identifique dificuldades de crédito, poderá promover novos cortes. "Não acho que o corte de impostos deva ser linear. Deve continuar sendo calibrado, caso a caso", informou uma fonte do governo. Há cerca de duas semanas, o Ministério da Fazendo reduziu o IOF para as operações de financiamento de motos para pessoas físicas. O setor havia registrado uma queda forte nas vendas. Semanas antes, o governo reduziu o IOF para os investimentos estrangeiros. A equipe econômica avalia que uma redução mais ampla de impostos só será possível quando houver mais clareza sobre o cenário econômico em 2009. "Para adotar essas medidas estruturais, temos de aguardar para ver como será o ritmo de crescimento econômico no ano que vem", disse uma fonte da área econômica. Segundo ela, continua na gaveta a proposta de reestruturar as alíquotas do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), para reduzir a carga tributária para as classes mais baixas. "Essa é uma medida forte. Por isso, também depende de termos essa clareza."A redução de impostos é uma das pernas de um tripé anunciado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, para reduzir os impactos da crise financeira internacional na economia real. O governo anunciou que vai manter os investimentos e pretende reduzir o custo das operações financeiras das empresas. Daí a possibilidade de redução do IOF. Todos os esforços são para evitar um desaquecimento forte da demanda que possa levar a uma onda de demissões. No caso dos investimentos, além das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o governo continua contando com a criação do Fundo Soberano do Brasil (FSB), que deve receber mais de R$ 14 bilhões este ano. Esses recursos poderão ser usados em obras de infra-estrutura num momento de baixo crescimento econômico. Mas, se o FSB não for aprovado pelo Senado até o final do ano, o Tesouro Nacional já estuda alternativas para evitar que esse dinheiro vire superávit primário e seja usado no pagamento dos juros da dívida pública. "Tem solução", disse a fonte sem dar detalhes. Para reduzir o custo das operações financeiras, além da redução de IOF, o governo espera que os bancos oficiais promovam uma onda de corte de taxas de juros cobradas do tomador final. O Banco do Brasil já reduziu o custo dos empréstimos a pessoas físicas e empresas. A Caixa Econômica Federal informou que deverá anunciar na semana que vem o corte dos juros nas operações de crédito às empresas. A orientação é para que os bancos adotem o papel de liderança na ampliação da oferta de crédito e redução do custo dos empréstimos. O governo acredita que essa postura puxará para baixo os juros cobrados pelos bancos privados.

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