Heinz-Peter Bader/Reuters
Heinz-Peter Bader/Reuters

finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Imagem Fábio Alves
Colunista
Fábio Alves
Conteúdo Exclusivo para Assinante

De olho no euro

Sucesso dos países da zona do euro para conter pandemia tem dado força à moeda comum

Fábio Alves*, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2020 | 04h00

Um dos temas mais importantes para os mercados e a economia mundial no momento é a aposta de que não só chegou ao fim a era do dólar forte, como também a moeda americana vai engatar uma tendência de queda nos próximos 12 meses frente às divisas dos principais parceiros comerciais dos EUA.

Um dólar menos valorizado é considerado bom para a economia mundial, uma vez que aumenta o poder de compra de outros países, puxa para cima as cotações das commodities, dá um empurrãozinho a mais no crescimento do PIB global e sustenta um rali em ativos de risco, como as Bolsas de Valores.

Com tantas incertezas no horizonte, como saber se o dólar vai mesmo ceder terreno depois de dois anos em firme alta? O noticiário financeiro tem destacado o desempenho do índice DXY, que mede a variação do dólar ante uma cesta de seis moedas de países desenvolvidos: euro, iene, franco suíço, libra esterlina, coroa sueca e dólar canadense. Em julho, o DXY caiu 4,1%, na sua maior queda mensal desde setembro de 2010.

Mas o termômetro mais fiel do que poderá acontecer com o dólar globalmente é, na verdade, o euro, que tem peso de 57,6% na cesta de moedas que compõem o índice DXY. Em abril, no auge da pandemia, quando os países europeus ainda mantinham duras medidas de isolamento social, resultando numa parada abrupta das suas economias, o euro chegou a ser negociado abaixo de US$ 1,08.

Desde então, a moeda comum da zona do euro vem numa tendência de alta, impulsionada pelo sucesso dos países do bloco em conter a pandemia e reabrir suas economias de forma mais consistente do que se tem visto em vários Estados americanos, como a Flórida, o Texas e a Califórnia, que vêm enfrentando uma segunda onda de contaminação do vírus e recuaram das medidas de relaxamento do distanciamento social.

Em julho, o euro chegou a subir cerca de 5%. Na semana passada, bateu o maior nível em dois anos, a US$ 1,1917. Muitos analistas começaram a estimar que o euro atingiria US$ 1,20 até o fim do ano, depois que os líderes da União Europeia (UE) aprovaram um fundo de recuperação do bloco no valor de 750 bilhões de euros, dos quais 390 bilhões de euros em subsídios diretos e 360 bilhões de euros em empréstimos.

Com os sinais mais recentes de retomada da economia e as perspectivas mais otimistas com o estímulo fiscal após a aprovação do fundo de recuperação, já há analistas prevendo que o euro poderá subir mais. É o caso do banco ING, que disse ver espaço para o euro bater em US$ 1,25 depois de antecipar a sua estimativa de US$ 1,20 para este terceiro trimestre.

Um renomado economista brasileiro acredita que o ganho do euro poderá, por tabela, beneficiar o real em meio ao maior apetite a risco. Para ele, se o euro atingir US$ 1,25 até o fim do ano, o dólar poderá cair abaixo de R$ 5,00. Isso se o Brasil ajudar e fizer o seu dever de casa.

Mas se ficar evidente para os investidores de que o teto de gastos não será respeitado em 2021 e que haverá um descontrole fiscal após o aumento do gasto público para combater os efeitos da pandemia, dificilmente o câmbio se beneficiará da tendência global de queda do dólar.

Outra variável importante é a eleição presidencial americana em novembro. Uma eventual vitória de Joe Biden, o candidato democrata que vem liderando as pesquisas de intenção de voto, levaria a um enfraquecimento do dólar ao reduzir, entre outros fatores, o risco geopolítico mundial. A reeleição de Donald Trump significaria um dólar mais forte. Se a corrida presidencial ficar apertada mais adiante, os investidores poderão migrar de volta para o refúgio do dólar.

Enquanto o Federal Reserve seguir injetando estímulos monetários em valores bem maiores do que os outros bancos centrais, o dólar continuará vulnerável. Mais ainda se o ritmo de recuperação da zona do euro for mais acelerado do que o dos EUA. E se chegar uma vacina contra o coronavírus, os investidores vão eleger o euro como um dos ativos favoritos numa onda de apetite a risco.

*COLUNISTA DO BROADCAST

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.