De volta ao nível de R$ 1,70, dólar avança na semana 2,46%

O temor de que o governo use munição mais pesada para conter uma excessiva valorização do real frente ao dólar foi reforçado ontem, impactando especialmente o dólar e a Bolsa. Após uma manhã mais calma em relação ao dia anterior, o dólar acelerou à tarde e fechou a R$ 1,706, alta de 0,65%. Os investidores ficaram sobressaltados com as declarações do secretário do Tesouro, Arno Augustin, de que há uma ''grande quantidade'' de medidas em estudo e que poderão ser lançadas a qualquer momento. Ele também avisou aos que estão pedindo prêmios mais elevados para comprar títulos públicos de longo prazo: ''Não vamos sancionar aumento de juros da ponta longa''. As declarações de Augustin coroam uma semana bastante agitada no mercado financeiro doméstico, que começou com uma nova elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para estrangeiros e termina com outra espada na cabeça dos investidores. Há ainda a expectativa com os desdobramentos da reunião dos ministros do G-20 neste final de semana, na Coreia do Sul, embora as chances de um acordo sejam consideradas nulas. Com o desempenho de ontem, o dólar acumula na semana valorização de 2,46% ante o real.

Cenário: Silvana Rocha, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2010 | 00h00

Abalada pelas vendas de investidores externos, a Bovespa intensificou a queda após a fala de Augustin, mas encerrou com baixa mais moderada, de 0,18%, aos 69,529 pontos, amparada pelas siderúrgicas. Na semana, a Bolsa carrega queda de 3,20%.

O mercado de juros, onde os estrangeiros já vinham desmontando posições nos últimos dias por causa do IOF, não alterou o ritmo de alta das taxas após as declarações do secretário do Tesouro. A taxa do contrato para janeiro de 2013 subiu de 11,78% para 11,85%.

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