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De volta o que deu errado

Os números negativos vão se sucedendo; Enquanto isso, o governo reedita providências que fracassaram nos últimos quatro anos

Celso Ming, O Estado S. Paulo

19 de agosto de 2015 | 21h00

Os números negativos vão se sucedendo. Enquanto isso, o governo reedita providências que fracassaram nos últimos quatro anos, especialmente o crédito subsidiado distribuído por bancos públicos a grupos favorecidos, quase sempre os que gritam mais alto. É o que aumenta as contradições da política econômica.

Nesta quarta-feira saíram os resultados do Índice de Atividade Econômica do Banco Central, o IBC-Br, calculado mensalmente com o objetivo de antecipar a trajetória da renda nacional (PIB), que as Contas Nacionais do IBGE só divulgam trimestralmente e, ainda assim, cerca de 60 dias depois de terminado o trimestre. A divulgação do PIB do 2.º trimestre, por exemplo, só será no dia 28 de agosto. 

O que se viu a partir deste último IBC-Br foi o aprofundamento da recessão (veja o gráfico).Todos os dias, autoridades do primeiro e do segundo escalões do governo repetem que a recuperação está a caminho, que aparecerá logo aí, no início de 2016 ou, no mais tardar, um pouco mais à frente. É só vontade de insuflar otimismo com mais contradições, como as do novo subsídio ao crédito.

Não dá para desmisturar as doenças. A crise econômica está embolada com a crise política. Enquanto não se obtiver o arranjo político que dará governabilidade e direção, a economia também tenderá a se deteriorar e  essa deterioração contribuirá para o aumento das tensões na área política. O mau estado das contas públicas derruba a confiança e provoca recessão e a recessão contribui ainda mais para derrubar as contas públicas, porque a arrecadação baqueia.

Quando o ministro da Fazenda aceita trazer de volta a política anticíclica que abominou há apenas seis meses e volta a distribuir favores na contramão da política monetária, a equipe econômica vai perdendo o respeito duramente conquistado. (Veja o Confira.)

É por essas e outras que vão sendo adiadas decisões essenciais que poderiam devolver chão para o investimento. Não é apenas o empresário que está inseguro e vai empurrando para a  frente a tomada de decisões estratégicas para seu negócio. O assalariado teme pelo seu emprego e todos os dias o pequeno aplicador pergunta se o governo não vai outra vez meter a mão no dinheiro da poupança ou na sua porção de Letras de Crédito Imobiliário.

Além das incertezas internas que acabam de ser mencionadas, há as externas. A China dá sinais de instabilidade e não se sabe até que ponto continuará a fome de matérias-primas, o principal produto de exportação do Brasil. E, por mais que adie o que já está programado, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) começará a puxar pelos juros, manobra que aumentará o valor do dólar e que deverá afugentar capitais dos países emergentes, inclusive do Brasil, especialmente quando a economia fraqueja.

É um momento de fragilidade na vida nacional. O País não precisa apenas de alguém que o unifique, como já avisou o vice-presidente da República, Michel Temer. O País precisa de firmeza de rumo e não de remendos que aumentam as incertezas e adiam a recuperação.

CONFIRA:

Nova distorção

Quando o governo obriga a Caixa e o Banco do Brasil a distribuírem juntos mais de R$ 14 bi em créditos favorecidos para a indústria provoca novas distorções. O objetivo alegado é “dar um respiro” a setores sufocados pela crise. Outra vez elege empresas para receber favores oficiais. O mais importante aí não é que esta seja uma decisão certa ou errada, mas sim que contraria a política adotada e aumenta as incertezas sobre o rumo da economia.

E a política monetária?

A decisão também tromba com a política monetária do Banco Central (BC) que, certo ou errado, optou por restringir o crédito. Se é para distribuir financiamentos baratos, é preciso derrubar os juros e desmanchar o que o BC vem fazendo desde abril de 2013.

Sem essa

É falsa a condição de que esse crédito será dado apenas para as empresas que deixarem de demitir. Nenhuma empresa vai deixar de demitir só porque pode se pendurar em mais essa teta agora apadrinhada pelo ministro Joaquim Levy.

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