Debate na OMC fracassará sem reforma agrícola na Europa

Ministros de cerca de 30 países concluíram neste domingo a reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC) no balneário de Sharm El-Sheik, no Egito com uma certeza: depende da União Européia (UE) o sucesso ou fracasso das negociações que estão programadas para estarem concluídas até o final do próximo ano e que garantem maior liberdade os mercados agrícolas.Os Estados Unidos não pouparam críticas e pressões às autoridades européias para que consigam uma reforma da política agrícola. "Os países que por muito tempo se beneficiaram do sistema comercial mundial, como os europeus, agora precisam aceitar um avanço na agricultura", afirmou o representante dos EUA para temas comerciais, Robert Zoellick. "Temos pouco tempo".Apesar da falta de resultados concretos, o encontro foi tido como "positivo" pelos representantes brasileiros, que viram na posição ofensiva dos EUA um fator de garantia de que os interesses nacionais, em especial a agricultura, deverão ser "preservados" na rodada da OMC."Nada avançará se a UE não reformar sua política agrícola. Isso ficou claro nessa reunião", afirmou o chanceler brasileiro Celso Amorim. Para o colega da pasta do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, "há uma percepção clara do que deve ser feito para avançar na negociação sobre agricultura". O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, disse que "o debate foi contundente" e que a posição brasileira "será preservada".O comissário de Comércio da UE, Pascal Lamy, tentou não dar muito importância ao tema agrícola na OMC e não garantiu que em 2005 a entidade estará com as negociações concluídas. "Isso somente saberemos durante a reunião ministerial da OMC, em Cancun em setembro", afirmou o francês. Antes, os 30 ministros voltam a se reunir no final de julho, em Montreal, para mais uma sessão de coordenação.

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