Debate sobre indexação ressurge no país, mas sem pânico

Pesadelo dos brasileiros, a indexaçãovoltou à pauta de discussões no Brasil diante da aceleraçãorecente da inflação. O tema não deve ser ignorado, admitemanalistas, mas pode estar sendo exagerado, já que a economia éhoje bastante diferente de décadas atrás e o Banco Central játrabalha para amenizar a situação. O alerta da indexação --mecanismo pelo qual os preços sobempela inflação passada, gerando mais inflação à frente-- foisoado neste ano após os primeiros sinais de que o avanço dosalimentos se traduziu em outros aumentos, como de aluguéis esalários que são reajustados por índices de inflação. Além desses dois itens, atualmente mensalidades escolares,convênios médicos, pedágio, energia e telefonia são alguns dospreços reajustados por indicadores como os Índices Gerais dePreços (IGPs), dos 12 meses anteriores. "Essa preocupação da volta da indexação está precipitada...Hoje você pode negociar preços, não é como antes, quando tinhacontratos que diziam que haveria impreterivelmente um reajustecom o índice de inflação", ponderou Salomão Quadros,responsável pelos IGPs da Fundação Getúlio Vargas (FGV). "Vale a pena o sinal de que isso é risco. É algo queprecisa de cuidado, porque a inflação pode encontrar seuspróprios mecanismos de reprodução, mas nada no sentido deautorizar alguma espécie de pânico." Segundo Quadros, os salários são um desses meios derepasse, já que as empresas podem querer elevar preços paracompensar o custo maior dos empregados. Esse tipo de canal émais perigoso quando a economia está aquecida, como agora. A diferença com a época de economia indexada --nopré-Real-- é que atualmente há uma flexibilidade maior dosíndices usados nos contratos. Os tradicionais IGPs são formados60 por cento pelo atacado, o que nem sempre reflete a realidadedos preços que eles irão reajustar. Outros dados de inflação, como o Índice Nacional de Preçosao Consumidor Amplo (IPCA), devem ter metade da alta dos IGPsneste ano. "A economia já foi mais indexada e isso foi diminuindo.Hoje, por exemplo, existe o fator X (uma espécie de índiceadicional) nos reajustes de energia e muitos aluguéis sãoreajustados pelo IPCA", afirmou Silvio Campos Neto,economista-chefe do Banco Schahin. POLÍTICA MONETÁRIA Em 2002, lembram os analistas, os IGPs subiram mais de 25por cento, o que não impediu que a inflação pelo IPCAdeclinasse nos anos seguintes. Para este ano, a previsão dealta dos IGPs está em 11 por cento. "Está muito em pauta a questão da inflação hoje e há umcerto exagero. Estamos sofrendo um ajuste de preços relativos eé lógico que, em um primeiro momento, as pessoas sentem mais,mas estamos longe de ter um descontrole", avaliou FlávioSerrano, economista sênior do Bes Investimento. Para Quadros, da FGV, a ação do governo contra a inflaçãopode ser suficiente para impedir uma inércia inflacionáriaprolongada. "Com uma subida progressiva de juros, como estamosvendo, há uma possibilidade de a inflação já cair a partir de2009." Quadros acrescentou que as medidas tomadas pelos governosmundiais neste ano determinarão os patamares de inflação nosanos seguintes. "Fica-se falando que a inflação é apenas internacional, quevem das commodities, de fora, mas daqui dois ou três anos vamosver como ficará a inflação de cada país e veremos como cada BCagiu (corretamente ou não)."

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