Debate sobre juros e spread tem de ser racional, diz Setubal

Para presidente do Itaú, o problema não está em grandes margens; bancos têm lucro nominal alto, mas não têm rentabilidade alta, disse

ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2012 | 03h09

A redução do spread bancário passa por corte de impostos, do compulsório e dos custos, avalia o presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, destacando que essa discussão tem que ser feita com racionalidade. "O problema não está em grandes margens. Os bancos têm lucros nominalmente altos, mas não têm rentabilidade alta", disse Setubal durante palestra em congresso da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) para discutir tecnologia bancária, o Ciab.

O presidente do Itaú destaca que a rentabilidade sobre o patrimônio dos bancos nos últimos dois a três anos ficou na casa dos 16%, próxima do custo de capital. No Itaú, em 2011 foram R$ 20 bilhões em provisões para perdas de crédito, destacou Setubal, ressaltando que as provisões para calotes precisam diminuir. Por isso, a discussão de queda nos spreads passa por outro ponto, que é a obtenção pelos bancos de mais garantias nos empréstimos. "Tem uma agenda enorme, estamos discutindo com o governo", disse ele, destacando que o setor financeiro brasileiro está alinhado nessa discussão.

Segundo Setubal, os bancos passam no Brasil por pressão para redução de receitas. Para compensar, as instituições financeiras terão que buscar ganhos de eficiência e redução de custos, afirma o executivo.

Uma das formas de ganhar essa eficiência seria o investimento em tecnologia e em novas formas de chegar ao cliente, como redes sociais, avalia Setubal.

Europa. Segundo Setubal, os bancos na Europa passam por um processo de capitalização que ainda não terminou. O momento é delicado e de transformação no sistema financeiro, avalia o executivo: "Sou pessimista com o que está acontecendo na Europa. Acho que no final o euro sobrevive, mas com muita dificuldade."

Para ele, o problema bancário na Europa é mais grave que em outras regiões do planeta. "Nos bancos dos Estados Unidos, o processo de capitalização está mais avançado", disse Setubal.

Nesse cenário de crise em vários países e de novas regras de capital mais rígidas, o chamado Basileia 3, Setubal destaca que os bancos em todo o mundo estão revendo seus modelos de negócios. Esse processo também ocorre no Brasil, que passa ainda por redução de juros.

"Os bancos terão que repensar muito seus modelos de negócios", disse ele, destacando que o desafio será como remunerar o capital adicional que terá que ser reservado por conta das novas regras de Basileia.

Desvalorização. Até terça-feira, dia 19 de junho, a ação do Banco do Brasil é a que apresenta o pior desempenho em 2012, com queda de 10,7% entre as ações dos grandes bancos de capital aberto da América Latina e Estados Unidos (com ativos acima de US$ 100 bilhões). É o que aponta análise da consultoria Economática, que mostra que a segunda ação mais castigada é a preferencial do Itaú Unibanco com recuo de 9,07% no ano. A ação ordinária da empresa completa a lista das ações de bancos brasileiros em queda, com -0,21%. Na terceira colocação está o Morgan Stanley, com -4,94%.

Já as ações do Santander e Bradesco apresentam rentabilidade positiva no ano, sendo a preferencial do Santander a de melhor desempenho no ano entre as instituições brasileiras, com 15,05% de valorização. Bradesco ON e PN têm valorização de 3,72% e 2,59% respectivamente.

Segundo a Economática, entre os 19 maiores bancos da América Latina e EUA, o Bradesco tinha a melhor relação valor de mercado x patrimônio líquido (168,5%). /COLABOROU GABRIELA FORLIN

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