Debênture em infraestrutura deve focar rodovias em 2013

Já para 2014, segundo executiva do Santander, espera-se investimentos em ferrovia, porto, aeroporto e mobilidade

O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2012 | 23h58

A chefe de Mercado de Capitais da área de Dívida do Santander, Cristina Schulman, disse que as emissões de debêntures de infraestrutura em 2013 devem ser consolidadas em projetos "maduros" do setor de rodovias. "Já para 2014, o crescimento deve ser verificado no financiamento de investimentos em áreas variadas, como ferrovias, portos, aeroportos e projetos de mobilidade urbana", afirmou.

A estimativa do Santander para oportunidades de financiamento no ano que vem chega a R$ 16,3 bilhões. Segundo a executiva, os investimentos em debêntures em infraestrutura vêm de asset managements - a maior parte -, de fundos de pensão, pessoas físicas e investidores estrangeiros.

Cristina destacou, ao participar do evento Financiamento para o Desenvolvimento, da série Fóruns Estadão Brasil Competitivo, promovido pelo Grupo Estado em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), na quarta-feira, que tem aumentado o interesse dos estrangeiros nesse tipo de investimento, parte pela queda de juros no País e parte pela crise financeira internacional. E o interesse, segundo a executiva, não é só de europeus e americanos, mas também de sul-americanos - Chile, Peru e Colômbia, entre eles. "O momento atual é muito propício no mercado de capitais, com a queda dos juros e com o interesse dos estrangeiros."

Segundo Cristina, a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) estuda alterações nas regras de diversificação de fundos para criar mecanismos de investimentos em projetos de infraestrutura. "A Anbima está estudando formas de adequação às características do mercado", disse, depois de participar do evento.

Em 2012, houve apenas uma emissão de debêntures de infraestrutura no mercado brasileiro, da AutoBan. Segundo ela, as regras determinam que um fundo pode investir, no máximo, 20% de seus ativos em um único papel. "Então, como criar um fundo para investir em infraestrutura, se só existe um ativo?", questionou, para ilustrar a importância da revisão atual das regras de diversificação.

A projeção do Santander é de desenvolvimento do mercado de debêntures em infraestrutura, com mais empresas emitindo títulos nos próximos anos. No entanto, disse Cristina, esperar até que isso aconteça não pode ser uma opção. "Senão vamos chegar ao problema do ovo e da galinha", ilustrou a executiva, ao se referir à possível situação de falta de interesse dos investidores por causa do baixo número de debêntures emitidas e do baixo empenho das empresas em emitir os bônus por causa do mercado fraco. / W.A. e S.M.

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