'Débito atrapalhava minha vida pessoal e profissional'

Operador consegue encerrar dívidas depois de reconhecer que se excedia nos desembolsos e buscar orientação

O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2012 | 03h10

Ao ver um banner com os dizeres "Saia do Vermelho" no site do Itaú Unibanco, empresa onde trabalha como operador, Adilson Matias França, de 30 anos, percebeu que era o momento de mudar de comportamento e começar a pensar em como pagar as dívidas e guardar dinheiro.

"Já não aguentava mais ficar estressado pensando nas dívidas. Isso vinha me atrapalhando tanto na vida pessoal como profissional. Resolvi assumir que tinha problemas e pedir ajuda."

Franca ficou endividado durante um ano. Hoje, três anos depois de participar do programa do banco, subiu do patamar de devedor para investidor. O que é, segundo a consultora Cecília Cibella Shibuya, muito raro. "É mais frequente um equilibrado cair para o nível de endividado do que um endividado subir para o nível de investidor", comenta.

O operador já se arrisca, inclusive, a dar dicas para os amigos e familiares. "Tenho muitos afilhados e já falei para os pais a importância deles começarem a pagar um plano de previdência privada desde cedo para as crianças."

O programa "Uso Consciente do Dinheiro" do banco é oferecido tanto para correntistas como para funcionários. "Nossos colaboradores também são clientes. Todos têm conta aberta no banco, acesso a crédito, cheque especial e, se não tiverem cuidado, podem cair no endividamento", diz a diretora de sustentabilidade do Itaú Unibanco, Andrea Pinotti Cordeiro.

Para ela, a educação financeira, assim como qualquer base cultural, social ou de cidadania deve começar em casa. Mas, afirma, se a base familiar não contribui para o uso consciente do dinheiro, é possível fazer uma reeducação com base em metodologias. O banco oferece vários cursos a distância, presenciais, simuladores de orçamento e, em alguns casos, orientação individual. "Mantemos os programas permanentes porque acreditamos que isso favorece a reciclagem de quem já passou pelas nossas orientações e a iniciação na educação financeira para os novos funcionários", diz.

A técnica do banco é aprovada pelo presidente da DSOP Educação Financeira, Reinaldo Domingos. "Mudar a cultura financeira de uma pessoa é complicado e requer tempo e muito trabalho de conscientização. Envolve vários fatores pessoais e, principalmente, a estrutura familiar", esclarece. Domingos ressalta que trabalhos isolados podem não surtir o efeito esperado.

"Não adianta a empresa oferecer uma palestra isolada de planejamento financeiro e a melhor forma de investir."

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