Década de 80 não foi perdida, diz economista

Contrariando à idéia reiterada à exaustão, de que a década de 80 foi perdida pelo Brasil, o economista Ricardo Neves considera que, ao contrário, o País adquiriu, naqueles anos, um bem extremamente valioso: a reconquista da liberdade política. "Pouca gente se dá conta de que, na verdade, naquela década começava a revolução cívica no Brasil", disse Neves, no programa Manhattan Conection, da GNT. Segundo ele, naquele período, o País adquiriu um grau de mobilidade social tão grande que basta olhar quem hoje preside o Brasil e onde ele estava nos anos 80. "No Brasil, no final das contas, nós conseguimos a revogação da ´lei de gérson´. Quer dizer, todo mundo sabe que existe corrupção, mas ela existe até o momento em que é descoberta. Nossa revolução cívica foi feita sem sangue, sem sacudidas que perturbaram o sistema. Ao contrário, nós construímos um edifício de mecanismos de participação democrática e de engajamento cívico.?Ricardo Neves diz que, hoje, o Brasil tem 250 mil ONGs, um ministério público ativo, imprensa livre e uma estrutura de eleições diretas livres. ?E isso é um ativo, é uma realização da qual nós devemos nos orgulhar."Medo do futuroPara ele, é inegável que o País ainda precisa avançar muito em termos de justiça e equidade social e, neste sentido, disse ter um medo profundo do futuro que se abre à nossa frente. "Nós não podemos descansar enquanto não mudarmos o nosso horizonte estratégico. Aí, sim, para correr atrás das perdas em termos de desenvolvimento econômico." Na opinião do economista, o Brasil não pode menosprezar a Alca e tampouco deixar de enfrentar os desafios da globalização, sob pena de travar seu crescimento.

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