Decidimos trabalhar com cenário de mercado para a inflação, diz Nelson Barbosa

Segundo o ministro do Planejamento, é possível que a inflação encerre 2016 no centro da meta de 4,5%, mas governo preferiu usar parâmetros mais próximos às previsões dos analistas

Lorenna Rodrigues e Victor Martins, O Estado de S. Paulo

15 de abril de 2015 | 18h42

BRASÍLIA - O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, disse que é possível que a inflação encerre 2016 no centro da meta de 4,5%. Apesar disso, o governo decidiu utilizar no projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias do ano que vem, enviado nesta quarta-feira, 15, ao Congresso Nacional, parâmetros mais próximos às previsões do mercado, para dar mais credibilidade às metas fiscais. 

No PLDO 2016, a previsão para a inflação medida pelo IPCA para o fim de 2016 é de 5,6%, acima, portanto, do centro da meta. "Tomamos a decisão no ano passado, com apoio do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, de trabalhar com o cenário de mercado", afirmou. "Achamos que é possível trazer a inflação para o centro da meta no ano que vem, mas trabalhamos com cenário de mercado para mostrar que, mesmo em um cenário que não é do governo, a política fiscal é consistente", completou. 

Barbosa ressaltou que as ações que vêm sendo adotadas pelo governo no âmbito do ajuste fiscal contribuem para a estabilidade fiscal e para o controle da inflação. "Trabalhamos para recuperar o crescimento da economia o mais rápido possível, assim como o Banco Central também trabalha para trazer a inflação para o centro da meta o mais rápido possível. É o que o mercado espera", completou. 

Barbosa afirmou que há sinais de recuperação da economia, mas que isso deve ocorrer apenas no segundo semestre do ano. Segundo o PLDO, o PIB do Brasil deve recuar 0,9% em 2015. Ele, no entanto, evitou falar em recessão.

Corte de gastos. O ministro do Planejamento disse que o governo deverá divulgar o contingenciamento no orçamento deste ano até no máximo meados de maio. Na próxima semana, a Lei Orçamentária de 2015 será sancionada e o governo terá 30 dias para divulgar o corte de recursos. "O contingenciamento será o valor necessário para o atingimento da meta de 1,2%. Isso muda ao longo dos meses com base na evolução da economia e na estimativa de aprovação de medidas no Congresso Nacional", disse Barbosa.

PAC. A meta de superávit fiscal de 2016, estipulada em R$ 126,73 bilhões (2% do PIB), não inclui o abatimento das despesas do Programa de Aceleração do Crescimento Econômico (PAC), como permite a lei. De acordo com Nelson Barbosa, não há previsão de abater os gastos do programa da meta no próximo ano. "Quisemos adotar uma meta mínima de resultado efetivo, sem abatimento do PAC", afirmou. Segundo ele, o programa continuará tendo prioridade na destinação de recursos pelo governo federal. 

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