Decisão argentina contra Inglaterra não afeta mercado local

A decisão do governo de Néstor Kirchner de proibir a atuação na Argentina de companhias petrolíferas que operam nas Ilhas Malvinas não deve provocar impacto no mercado local. Nenhuma das empresas que têm contratos de operação nas Ilhas Malvinas opera no mercado argentino, segundo informou o Ministério de Planejamento.Na quinta-feira, 29, à noite, o governo deu mais um passo em direção ao endurecimento de sua postura na briga com a Inglaterra pela soberania do arquipélago. O ministro Julio De Vido e o secretário de Energia, Daniel Camerón, anunciaram que todas as empresas que atuam como concessionárias do governo britânico na atividade de extração de hidrocarbonetos na região das Ilhas Malvinas estarão proibidas de operar na Argentina.A decisão é uma "medida preventiva", como definiu De Vido, mas adiciona mais tensão na conflitante relação entre a Argentina e o Reino Unido. Os antecedentes dizem que após a assinatura do acordo de cooperação entre os dois países, em 1995, o qual foi cancelado pela Argentina há três dias, as autoridades das ilhas iniciaram um projeto agressivo para desenvolver a exploração de hidrocarbonetos em quatro bacias na zona. A administração das Falklands, nome dado pelos ingleses para o arquipélago, concedeu sete licenças de exploração para 14 companhias.Empresas envolvidas Dos seis poços perfurados, em cinco foram encontrados mostras de petróleo e gás, mas nenhum alcançou os níveis básicos para passar da etapa de estudo para a exploração comercial. As principais empresas envolvidas no processo foram Desire Petroleum, Amereda Hess e IPC. Em 2002, os Kelpers, como são chamados os moradores das ilhas, lançaram um novo projeto, o Open Door, para dar continuidade à busca de petróleo na zona.Pelo novo projeto, as companhias petrolíferas não tinham que ser submetidas à licitação para obter as áreas de exploração e produção. Nesse esquema, dez áreas foram entregues às empresas: Global Petroleum (inglesa), Hardman Resources (australiana) e a kelper Falkands Islands Holdings. Essas concessões tem um prazo de validade de até 57 anos.Faltando apenas quatro dias para o aniversário dos 25 anos da Guerra das Malvinas, o governo local decidiu endurecer sua luta para recuperar a soberania do arquipélago, que se encontra há 174 anos sob o poder dos britânicos. A Guerra das Malvinas será lembrado no próximo dia 2 de abril, feriado nacional.AcordoA Argentina anulou na terça-feira, 27, o contrato conjunto de exploração de petróleo com a Grã-Bretanha cobrindo o fundo do mar nas imediações das ilhas Falkland ou Malvinas, no Atlântico Sul.O ministro do Exterior da Argentina, Jorge Taiana, disse em uma entrevista coletiva que a Grã-Bretanha sempre usou o acordo, assinado em 1995, para justificar o que ele qualificou como reivindicação ilegítima das ilhas.

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