Decisão boliviana terá impacto internacional, dizem EUA e UE

A Europa e os Estados Unidos alertam que a decisão da Bolívia de nacionalizar os campos de petróleo e gás natural terá implicações para os investimentos e manda um sinal negativo para a comunidade internacional. "Essa decisão afetará o mercado internacional de energia", afirmou um porta-voz da Comissão Européia ao Estado. Segundo Bruxelas, o tema deverá ser levantado com o governo boliviano no próximo dia 13, quando os chefes de Estado da Europa e da América Latina se reúnem em Viena para uma cúpula entre as duas regiões. Para o representante de Comércio da Casa Branca, Rob Portman, a decisão do governo Evo Morales "não ajuda nem no fluxo de investimentos e ainda manda uma mensagem negativa para a rodada de negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC)". Pelas regras da entidade, cada país deveria indicar em quais setores está disposto a promover uma liberalização para a atuação de empresas estrangeiras. Desde que assumiu o governo de La Paz, Morales optou por retirar a proposta que a Bolívia havia feito na OMC de abertura. PreocupaçãoEm Bruxelas, capital da União Européia, diplomatas e negociadores não escondiam nesta terça-feira a preocupação do bloco diante da decisão de Morales. "Sabíamos que a questão de uma maior participação do estado boliviano no setor de energia era um dos pontos da campanha eleitoral de Morales. Mas alguns aspectos dessa decisão nos preocupam", explicou o porta-voz da UE. Os europeus esperam agora que o governo de Morales negocie com cada uma das empresas da região antes de qualquer nova ação como uma expropriação. A espanhola Repsol, a British Petroleum e a francesa Total são as principais fontes de preocupação de Bruxelas. "Estamos estudando os detalhes da decisão, mas sabemos que poderá ter impactos nos investimentos ", afirmou o bloco. Em Madri, o governo agora espera que ocorra uma " negociação legítima" entre La Paz e a companhia espanhola. Bruxelas também espera que o governo de La Paz estabeleça consultas com os países europeus e mesmo com as instituições da UE para evitar que as medidas anunciadas na segunda-feira tenham um impacto ainda mais negativo para as relações entre a Europa e a Bolívia. A nacionalização dos recursos energéticos ocorre a menos de quinze dias da Cúpula entre a América Latina e a Europa, programada para o dia 13 de maio em Viena. Para os europeus, não há dúvidas de que o tema boliviano será um dos mais debatidos pelos presidentes e primeiros-ministros.Avaliação mais definitivaApesar de sinalizar preocupação, o governo dos Estados Unidos evitou uma avaliação mais definitiva alegando que seus diplomatas em La Paz ainda estão estudando a decisão e suas implicações. O porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormarck, afirmou que está Washington examinado os aspectos "específicos, os detalhes do decreto para ver quais exatamente os passos que o governo boliviano pretende dar, mas não temos esta informação ainda".Segundo o porta-voz, os Estados Unidos "certamente olharão de perto quaisquer impactos potenciais sobre a atmosfera para investimentos do setor privado na Bolívia e em termos a adesão do governo boliviano às suas obrigações contratuais". Se a segunda parte da declaração sugere preocupação com a possível quebra de contrato do governo de La Paz com a estatal brasileira Petrobrás e outros investidores, a primeira parte põe a ênfase na preservação do clima de investimentos "para o setor privado". A distinção não é casual e pode ser lida como expressão do desejo conhecido de Washington de ver empresas privadas assumir espaços hoje ocupados por estatais na região. A nacionalização do gás pelo governo do presidente Evo Morales não afetou nenhum investimento americano importante na Bolívia. As companhias mais atingidas são do Brasil, da Argentina e da COmunidade Européia.

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