Decisão da Bolívia pega Argentina desprevenida

A decisão do presidente Evo Morales de nacionalizar os hidrocarbonetos da Bolívia pegou a Argentina desprevenida e em plena negociação pelo preço do gás que compra do país. O ministro de Planejamento, Julio De Vido, havia se reunido com Morales na semana passada, na Bolívia, para dar início à negociação sobre o preço do gás importado. Com o decreto de da última segunda-feira, no ministério de De Vido há um temor de que a negociação será "duríssima".O governo está preocupado não só com o preço que hoje é de quase US$5 o milhão de BTU (se especula um aumento de 50%), mas também com o abastecimento da demanda. Uma fonte do Planejamento disse ao jornal Clarín que "se a medida implica em uma menor produção de combustíveis, a Argentina será afetada".Segundo afirmação do jornal La Nación, os executivos das petrolíferas pensam o mesmo, já que dizem que "não haverá investimentos energéticos na Bolívia por pelo menos os próximos seis meses, o que inviabiliza a possibilidade de que esse país desenvolva reservas e se converta, como indica o sentido comum empresário, no provedor natural da Argentina".Governo e empresas também se preocupam com o projeto do gasoduto do Nordeste, que seriam construído pela Techint e Repsol YPF e ligaria a Argentina e a Bolívia para solucionar os problemas energéticos nacionais. O gasoduto foi anunciado há dois anos pelo presidente Néstor Kirchner mas os investimentos estão parados e, pelo jeito, ficarão assim por algum tempo."O que está claro é que , pelo menos nesse tempo, absolutamente ninguém vai investir. Não vão desenvolver reservas. Isso, naturalmente prejudicará a Argentina", opinou o ex -presidente da YPF, Daniel Montamat ao La Nación. "Nos surpreendeu a contundência da medida", disse ao Clarín uma fonte do governo. Consumo A Argentina tem um convênio assinado com o ex-presidente boliviano Carlos Mesa pelo qual Bolívia lhe exporta até 7,7 milhões de metros cúbicos diários de gás. Na prática, a Argentina importa entre cinco a seis milhões de metros cúbicos diários, conforme a demanda doméstica. Esse volume representa entre 3% a 4% do total de 140 milhões de metros cúbicos diários de gás que os argentinos consomem. O acordo vence no final do ano e, por isso, as negociações estão marcadas para se iniciarem no próximo dia 15, conforme o ministério de Planejamento.

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