HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO
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Decisão da Moody's é notícia ruim mas já estava precificada, afirma ministro

Armando Monteiro, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, disse que ameaça da Moody's já era esperada e que nova perda de grau de investimento trará 'senso de urgência' ao Congresso 

Mário Braga e Álvaro Campos, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2015 | 14h38

SÃO PAULO - O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Armando Monteiro, afirmou nesta quinta-feira, 10, que a decisão da agência de classificação de risco Moody's de colocar o rating soberano do Brasil em observação para possível rebaixamento é uma "notícia ruim", mas que já estava "precificada". "Desde o rebaixamento do rating soberano pela Standard & Poor's, e considerando a evolução do quadro fiscal, já se esperava que isso pudesse acontecer", disse, em participação no Fóruns Estadão Exportação.

Segundo Monteiro, por outro lado, a iminente perda do grau do investimento pela segunda agência de classificação de risco pode levar um "senso de urgência" ao Congresso na aprovação das medidas de ajuste fiscal. "Congresso precisa de senso de urgência para promover ajuste rápido e confio que possa se voltar para questões que afetam diretamente a economia", estimou. O ministro citou desde medidas "de curtíssimo prazo" para o ajuste fiscal, como a Desvinculação das Receitas da União (DRU), a repatriação de recursos do exterior, a recriação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), além de questões mais estruturantes como a reforma do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e do PIS/Cofins.

Para o ministro, apesar das atenções na Câmara e no Senado estarem concentradas neste momento no pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, é preciso uma "pactuação" em torno de temas, como a votação da Desvinculação das Receitas da União (DRU) e outras medidas relativas ao ajuste fiscal. "Espero que o impeachment possa ser votado em um prazo curto", afirmou, avaliando ser necessário a suspensão do recesso parlamentar neste ano.

Monteiro disse esperar que o pedido de impedimento da presidente seja votado o mais rápido possível. "Meu entendimento é que o Congresso vai rejeitar o impeachment. Os requisitos constitucionais necessários para respaldar este pedido não estão atendidos", afirmou, destacando que a solução para este tema deve respeitar a institucionalidade. Eleito senador pelo PTB em 2010, Monteiro disse que seu partido integra a base aliada do governo há bastante tempo e é claramente contrário ao impeachment de Dilma. "Essa posição corresponderá à vontade majoritária da bancada do partido", disse.

Câmbio. Questionado pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, se a instabilidade política em Brasília pode aumentar a volatilidade no câmbio e, por consequência, afetar o desempenho da indústria, Monteiro avaliou que, mesmo com alguma variação, a relação entre o dólar e o real deve permanecer próxima do nível atual, "mais amigável" ao setor exportador brasileiro. "O câmbio está relativamente estável e o nível atual veio, por assim dizer, para ficar", afirmou. 

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