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Decisão da Moody’s é vista como ‘mal menor’ pelo governo

Fonte da equipe econômica diz que, com perspectiva estável, País ganha mais tempo para ‘arrumar a casa'

O Estado de S. Paulo

11 de agosto de 2015 | 23h25

Dos males, o menor. É dessa forma que a equipe econômica avaliou a decisão da Moody’s de rebaixar a nota do Brasil, mas colocando uma perspectiva estável. Havia um temor de que a Moody’s seguisse o mesmo caminho da concorrente Standard & Poor’s, que há duas semanas colocou o País à beira da perda do selo de grau de investimento ao rebaixar de estável para negativo o viés da nota do País.

Nesse sentido, a decisão da Moody’s trouxe certo alívio, embora não seja motivo de comemoração, definiu uma fonte da equipe econômica. O Estado apurou que foi visto como positivo o fato de a decisão da Moody’s ter sido anunciada no dia seguinte à definição de uma agenda econômica positiva de 27 projetos no Congresso Nacional para estimular a recuperação econômica, acertada entre o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. 

Para o integrante da equipe econômica, o risco de perda de grau de investimento aumentou com a crise política e é preciso apoio do Congresso para afastar esse risco dos próximos meses. Como as agências olham umas para as outras, é esperado também um movimento da Fitch, que mantém a nota do Brasil com perspectiva estável. De acordo com fontes, a manutenção da perspectiva mostra que o rebaixamento “não é o pior cenário”. A redução da nota pela Moody’s já era esperada e alguns integrantes da equipe econômica acreditavam que a perspectiva seria negativa, dada a piora no cenário político e a redução da meta de superávit.

“Com a perspectiva estável, você ganha mais tempo para arrumar a casa”, disse uma fonte da equipe econômica. A avaliação, no entanto, é que o Brasil ficará neste e no próximo ano “à beira do precipício”, ou seja, da perda do grau de investimento. “Se a política de ajuste der resultado, não acredito em perda do grau de investimento no ano que vem”, completou, ressalvando que a Moody’s deixa claro que o ajuste fiscal precisa acontecer em 2016 para que se evite “o pior”. 

Apesar de o resultado não ter sido visto como de todo ruim, o governo tem claro que há muito a fazer. O consenso é que, além de medidas de ajuste, é preciso de um sinal da retomada do crescimento. “Não surpreendeu o rebaixamento da nota pela Moody’s, mas não é motivo para comemorar”, disse outra fonte da área econômica.

Além disso, o governo entende que, em efeitos práticos, haverá mínima alteração no mercado brasileiro por causa da decisão da Moody’s. Segundo uma fonte, a manutenção do grau de investimento vai colaborar para evitar uma queda nos investimentos estrangeiros. 

Oposição. A oposição responsabilizou a presidente Dilma Rousseff pelo rebaixamento da nota de crédito do País pela Moody’s. “Quem levou o País a essa dificuldade foi o governo da presidente Dilma”, disse o líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB). Segundo ele, o governo mantém a “arrogância” e acha que as dificuldades se resolvem com propaganda.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse que a decisão da Moody’s “é uma sinalização negativa, mas ainda não é um problema da gravidade que seria o rebaixamento de grau de investimento.” (Com reportagem de Adriana Fernandes, Gustavo Porto, João Villaverde, Lorenna Rodrigues e Ricardo Brito).

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