Decisão da Moody's impulsionará investimento externo, diz BID

Para vice-presidente do banco, selo deve contribuir para Brasil recuperar investimentos perdidos antes da crise

Lucinda Pinto, da Agência Estado,

23 de setembro de 2009 | 14h15

O vice-presidente de Países do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Roberto Vellutini, afirmou nesta quarta-feira, 23, que a decisão da Moody's de conceder o selo de investment grade ao Brasil deve contribuir para a atração de investimentos externos, tanto para o mercado de capitais como para financiamentos de projetos privados. "O terceiro selo do Brasil melhora muito a condição do País, o que deve contribuir para que investimentos que haviam sido retirados no período pré-crise voltem ao País", afirmou. Para o BID, no entanto, o upgrade pela Moody's não trará mudanças às atividades já desenvolvidas no Brasil. "O nosso ponto de vista, não muda nada. Não é porque o Brasil tem agora três selos de investment grade que ele não precisa mais do BID", afirmou. "Acho que a decisão da Moody's terá mais efeito no setor privado do que no setor público", afirmou Vellutini.

 

Veja também:

link''Brasil foi classificado de vencedor'', afirma Meirelles

 

Já a vice-presidente do Banco Mundial (Bird) para América Latina e região caribenha, Pamela Cox, diz que o upgrade da Moody's confirma as duas lições que foram aprendidas com a crise financeira: que nenhum país pode ser livre da crise, mas que aqueles que têm reduzido sua dívida e trabalhado com superávit sofreram menos os efeitos da turbulência internacional. "A América Latina hoje não é a mesma dos anos 80. Vemos que a crise teve menos impacto sobre a economia real", afirmou. "O Brasil, com suas elevadas reservas cambiais e as boas políticas sociais, como o Bolsa-Família, venceu a crise. Por isso, vemos muito interesse dos investidores no Brasil", afirmou.

 

Essas boas políticas, enfatizou Pamela, pode beneficiar o Brasil na disputa pelos investimentos internacionais. Segundo ela, hoje há uma grande demanda por investimentos domésticos e internacionais no Brasil, mas que os organismos multilaterais não têm tamanho suficiente para dar conta dessa demanda. Ela afirmou que, em 2008, o Bird liberou para os países da América Latina um total de US$ 14 bilhões, sendo que, desses, US$ 3 bilhões vieram para o Brasil. O BID, por sua vez, liberou um volume próximo a US$ 17 bilhões no período. A soma dos dois volumes, segundo ela, responde por apenas um décimo das necessidades de financiamento da região.

 

Pamela também destacou a condição do Brasil de buscar capital privado para financiar seus projetos no mercado internacional. "Países com boas políticas, como o Brasil, terão acesso a esses investimentos, o que pode garantir ao País um bom desempenho nos anos futuros", disse, enfatizando que, além da gestão da dívida pública e estabilidade econômica, o Brasil avançou também na redução da desigualdade social e da pobreza.

 

Papel do Brasil

 

Nesse contexto de fortalecimento da economia brasileira, o aumento da participação do Brasil tanto no Bird quanto no FMI deve ser discutido na reunião conjunta que será realizada em outubro, na Turquia. Pamela Cox afirmou que, depois de cinco anos, o Brasil está em boa posição e, por isso, é preciso discutir qual será seu papel nos organismos multilaterais. "O Brasil tem papel grade, é voz forte entre emergentes. E todos os países precisam ter voz nesses organismos", afirmou.

 

Pamela Cox e Roberto Vellutini participaram hoje da Conferência Anual sobre Contabilidade e Responsabilidade para o Crescimento Econômico Regional na América Latina e Caribe, que acontece hoje em São Paulo, que discute a convergência dos padrões de contabilidade internacional, desafio que tornou-se mais importante após a crise financeira que levou a problemas financeiros de bancos, empresas e governos.

 

Além do BID e do BIRD, o evento conta com a participação de entidades internacionais de contabilidade. O debate pretende levar propostas aos ministros de Estado que participarão da reunião dos países do G-20, que têm na pauta a questão da unificação dos padrões de regulamentação, tanto públicos como privados.

 

Segundo Vellutini, o BID tem atuado junto aos países membros com o objetivo de desenvolver a capacidade da administração pública, garantir eficiência, transparência no manejo do recursos públicos, tanto em âmbito federal, como estadual e municipal. Ele explica que, para fazer o acompanhamento da condição financeira do País para quem o BID concede financiamento, muitas vezes é preciso criar um sistema de contabilidade paralela à oficial, o que, além de prejudicar a transparência do processo, representa um custo para a transação.

 

O objetivo do BID, portanto, é adaptar o processo de contabilidade do país às normas do BID. Por outro lado, o BID trabalha para adaptar suas políticas financeiras, flexibilizando seus requerimentos e políticas, de forma a incorporar cada vez mais o processo nacional ao sistema de contabilidade que será feito. Pamela Cox, por sua vez, diz que há um esforço especial destinado a estados e municípios, onde é preciso dar um "choque de gestão" para ajudar a melhor o sistema financeiro.

Tudo o que sabemos sobre:
investimentos externosMoody's

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.