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Decisão da Standard & Poor's é política, acusa Paulo Bernardo

Ministro vê ligação entre a decisão da agência de rating de cortar a nota brasileira e as críticas do candidato Aécio Neves

João Villaverde, Irany Tereza e Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2014 | 02h10

Dois ministros do governo Dilma Rousseff atacaram ontem a decisão da agência de rating Standard & Poor's (S&P) de rebaixar a nota de crédito do Brasil. Paulo Bernardo, ministro há dez anos - do Planejamento entre 2004 e 2010, e desde 2011 na Pasta das Comunicações -, afirmou que a S&P tomou uma decisão política, e não econômica. Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, citou erros da agência no período anterior à crise mundial de 2008, quando deu notas elevadas a bancos que faliram, como Bear Stearns e Lehman Brothers.

Inconformado com a decisão da S&P, o ministro Paulo Bernardo repetiu o termo inserido a pedido da presidente Dilma Rousseff na nota oficial de segunda-feira do Ministério da Fazenda, classificando de "inconsistente" a avaliação da agência.

"Eles falam da consistência da dívida como coisa de passagem, sendo que isso deveria ser a prioridade deles. A própria agência fala em processo eleitoral, e hoje disse que eventuais mudanças na política fiscal só virão depois das eleições de outubro. Eles estão fazendo política. Nem o FMI, no auge, quando era o antigo e poderoso FMI, quando vinha aqui para o Brasil não falava nesse tom", atacou Paulo Bernardo.

Paulo Bernardo alertou para a "coincidência" de fatores entre o movimento da S&P e as falas do senador Aécio Neves (MG), presidente nacional do PSDB e pré-candidato à Presidência da República. "Eles vieram aqui de prato feito, já com a opinião formada. E o Aécio está falando que já era esperada essa redução da nota do Brasil. É muito estranha essa coincidência de discurso", disse ele.

A agência teve um posicionamento político, e não necessariamente técnico, ao rebaixar a nota do Brasil, afirmou Paulo Bernardo. Ele disse que "a S&P ainda é uma das agências mais respeitadas, mas ela parece estar fazendo de tudo para deixar de ser respeitada", disse ele.

Atuação. Gilberto Carvalho centrou críticas no histórico da S&P. "A mesma agência que não conseguiu prever a crise que se abateu sobre os Estados Unidos e o mundo em 2008 agora tratou de rebaixar o Brasil", disse Carvalho, que participou da inauguração de uma estação de reciclagem em Valparaíso de Goiás (GO). "Não dá para a gente se abater pela simples consideração de uma empresa que mal conhece o País e já errou tanto no mundo. No caso da crise americana, foi nítido, essa empresa não conseguiu enxergar o risco que ali, sim, havia para investidor."

Ex-ministra. A senadora Gleisi Hoffmann, que conduziu a Casa Civil da Presidência de 2011 a janeiro deste ano, também disse que "nem o mercado está levando a sério" o downgrade anunciado pela agência. "Eu também não levaria a sério". "O mercado reagiu favoravelmente ao País, o dólar caiu, o Tesouro emitiu títulos com juros mais baixos", assinalou.

Questionada sobre o upgrade (elevação de nota) que a agência concedeu ao Brasil em 2008, comemorado na ocasião pelo governo, a senadora respondeu: "Mas isso foi antes da patacoada do Lehman Brothers", afirmou. "É fato: a respeitabilidade das agências está sob questionamento."

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