Decisão de assumir bancos argentinos prejudica produtores

A decisão do governo da Argentina de assumir o controle dos três bancos que pertenciam ao francês Credit Agricole, que deixou o país, vai prejudicar os produtores agrícolas locais, afirmam analistas. Os bancos Suquía, Bisel e de Entre Ríos S.A. (Bersa), que agora serão administrados pelo Banco de La Nación, eram as principais fontes de crédito privado para o setor. "A decisão é uma má notícia para os produtores das províncias de Córdoba, Entre Rios e Santa Fé", afirma Daniel Miro, presidente da Novitas, uma das principais consultorias do país.Segundo o jornal Clarín, o Credit Agricole, um dos maiores bancos da França, perdeu US$ 500 milhões na Argentina. Além dos produtores, a saída do Credit também dará dor de cabeça às tradings já que aqueles três bancos eram responsáveis pelo crédito de curto prazo dessas empresas.As instituições pararam com essas operações na semana passada, de acordo com Alberto Rodriguez, diretor da Ciara, um grupo que reúne os processadores de oleaginosas da Argentina. "A maioria de nós usava linhas de crédito diárias desses bancos para comprar grãos e oleaginosas para exportação direta, ou depois do processamento", explicou.Santa Fé e Córdoba são a segunda e terceira maiores regiões produtoras de grãos da Argentina. Daniel Miro, da Novitas, estima que os bancos lidavam com cerca de 25% dessas operações de pagamento de compras para exportação. Para alguns traders, esse índice era mais alto.O banco central da Argentina disse que está em negociações para encontrar compradores para os três bancos, algo que Miro e outros analistas acreditam que não será nada fácil. "Se eles encontrarem compradores, custos serão cortados. Isso significará o fechamento de agências nas comunidades rurais onde não existem outras instituições financeiras", disse Miro.Para Rodriguez, da Ciara, os exportadores não vão querer fazer negócios com o Banco de La Nación. "Eles são lentos demais para tomar decisões", afirma.

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