Decisão de Cameron foi 'infeliz', diz Barroso

Presidente da Comissão Europeia critica a não adesão do Reino Unido a pacto fiscal

BRUXELAS , O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2011 | 03h08

A decisão do primeiro-ministro britânico, David Cameron - de não apoiar o acordo europeu para adotar regras mais rígidas para combater a crise da dívida -, foi qualificada ontem pelo presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, como "infeliz".

Em discurso no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, na França, Barroso disse ter feito todo o possível para que o Reino Unido aceitasse o acordo alcançado na cúpula da União Europeia, em Bruxelas, na semana passada. Mas a exigência de Cameron de que as instituições financeiras da City de Londres fossem excluídas do acordo era impossível de ser aceita.

Barroso pediu a Cameron para não impedir que as instituições deem apoio ao acordo. Segundo ele, "as instituições europeias são a melhor garantia de que os interesses de todas os Estados europeus, incluindo o Reino Unido, serão respeitados".

"Este não é um acordo dos 17 países da zona do euro mais alguns, mas sim um acordo dos 27 países da UE menos um", disse Barroso. "O Reino Unido, em troca de seu apoio para o acordo, pediu um protocolo específico sobre serviços financeiros, o que era um risco para a integridade do mercado único", afirmou.

Em Londres, Cameron, rejeitou as acusações. Em resposta, um porta-voz do primeiro-ministro britânico disse que Cameron queria igualdade de condições, e não um tratamento especial para o Reino Unido. A rejeição britânica ao pacto gerou debates no país entre os que apoiam a decisão e os que temem um maior isolamento britânico..

As críticas de Barroso foram reforçadas com as declarações do presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy. Segundo ele, o fato de o Reino Unido ter vetado o acordo, forçando os demais países a assinarem um pacto intergovernamental em separado, complica a tarefa de implementar novas regras fiscais mais restritas. "Um tratado intergovernamental não era minha preferência inicial, nem a da maioria dos países-membros. Não será fácil, até mesmo do ponto de vista legal."

Para Van Rompuy, com a posição do Reino Unido não havia outra alternativa além de fechar um acordo entre os membros da zona do euro e agregar os países da UE que quisessem participar. "Estou otimista porque sei que vamos ficar muito perto de 27. Na verdade, 26 líderes indicaram interesse em aderir", ponderou. Ele insistiu que a Comissão Europeia e outras instituições da UE continuarão protegendo igualmente os interesses de todos os 27 membros do bloco, "incluindo os do Reino Unido"

Regras. Barroso disse ainda que os investidores deveriam ficar satisfeitos com o fato de os líderes da UE terem concordado em aplicar as regras do FMI para o envolvimento do setor privado em resgates financeiros, embora novas medidas decididas apenas entre 26 dos 27 países do bloco não sejam a estrutura ideal para isso. Os líderes da zona do euro concordaram em fornecer até € 200 bilhões em empréstimos adicionais para o FMI, por meio dos bancos centrais, para que o Fundo possa ajudar a combater a crise de dívida do bloco monetário. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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