Decisão de troca de investimentos deve levar em conta risco e retorno

Eu tenho uma aplicação de R$ 500 mil em CDB de um banco que atua no Brasil, porém, com a matriz na Europa. Estou preocupado com toda a situação da zona do euro. Por isso, estou pensando em resgatar o CDB e transferir o dinheiro para um banco brasileiro. Mas para eu transferir os recursos eu vou ter de resgatar o CDB e assim pagar Imposto de Renda. Ao começar a nova aplicação terei a incidência de IOF e IR novamente. Eu não considero justo. Lembro-me vagamente que há um tempo havia a possibilidade de transferir aplicações, mas não consigo apurar isso e não adianta perguntar para os gerentes das agências bancárias. Você sabe me dizer algo sobre isto?

Fábio Gallo,

23 de julho de 2012 | 03h05

Vamos ao problema em si. A sua aplicação está num banco no Brasil e seguindo as leis brasileiras, assim você está correndo o mesmo grau de risco que estaria correndo tendo investido em outro banco de capital inteiramente nacional. Os bancos no Brasil são rigidamente controlados pelo Banco Central e não importa de quem é o controle acionário. Caso a matriz do banco quebre na Europa, a unidade do Brasil poderá continuar operando. A transferência entre contas que você está se referindo era à denominada "conta investimento" que permitia a transferência de recursos de um banco para outro com destinação de investimentos e existia para não incorrer cobrança da CPMF, mas não ocorria a portabilidade da aplicação de um CDB de um banco para CDB de outro banco. Infelizmente, algumas informações que procuramos nas agências deixam a desejar. Os bancos investem muito em treinamento para mitigar esse problema. Embora possa ser notada diferença de atendimento e atenção às demandas dos clientes de um banco para outro. Assim, use do seu direito e sempre que você não for atendido recorra a ouvidoria. Caso ele também falhe no seu atendimento, reclame no Banco Central, onde é mantido um serviço de atendimento ao cidadão.

Tenho aplicado R$ 100 mil num fundo DI com taxa de administração de 1% ao ano, grau de risco baixo e rentabilidade de 32% nos últimos 36 meses. Quero mudar de aplicação para fazer o dinheiro render mais um pouquinho em outro fundo de renda fixa do mesmo banco, mas com grau de risco médio, taxa de administração 0,3% e taxa de saída de 1,2% ao ano sobre o valor líquido do resgate durante o período dos dois primeiros anos da data da aplicação. Esse fundo rendeu 35,76% no acumulado de 36 meses. Gostaria de saber se essa "troca de investimentos" seria uma boa opção mesmo com a taxa de saída e o grau de risco médio?

Acho que sim, devido a três fatores, a) o grau de risco dos fundos aparentemente são muito próximos, b) a diferença entre as taxas de administração e c) ao fato de que você pretende deixar o dinheiro investido por mais três anos. A decisão de investimentos sempre deve considerar dois aspectos básicos de finanças que são risco e retorno. Assim, não podemos decidir trocar uma aplicação por outra considerando apenas o retorno oferecido. Caso os ativos tenham o mesmo grau de risco, a comparação entre os retornos é direta, caso contrário não. Por outro lado, podemos não estar satisfeitos com o retorno líquido oferecido pelo atual investimento e assim buscarmos outra aplicação financeira que ofereça maior retorno, com grau de risco maior, mas que seja aceito. Em outros termos, a troca de investimentos deve ser uma decisão consciente, o que muitas vezes não ocorre com as pessoas. Alguns investidores ouvem o "canto da sereia" e trocam seus investimentos na expectativa de obtenção de maior retorno, mas sem conhecimento do grau de risco, o resultado é que depois de algum tempo não dormem direito pensando que podem perder dinheiro. A decisão de investimento deve ser algo consciente e a base para isto é conhecimento da relação risco e retorno.

Quando sou demitida tenho direito a todo o meu Fundo de Garantia ou só ao valor relativo a esse último emprego? Pergunto por que ainda tenho uma reserva financeira, mas gostaria de saber quando o senhor considera viável utilizar o dinheiro do FGTS?

Quando se é demitido há direito de saque somente do valor relativo a esse emprego do qual você está saindo. Em outros termos, somente do último emprego ao qual se está vinculado. A Caixa Econômica Federal mantém em seu portal todas as informações sobre as possibilidades de utilização do FGTS. No entanto, a única que não está claramente observada é justamente esta a que nossa leitora se refere. De maneira geral, o FGTS pode ser sacado nas seguintes ocorrências: a) demissão sem justa causa; b) rescisão do contrato por extinção total da empresa; c) na aposentadoria; d) caso de necessidade pessoal, urgente e grave, decorrente de desastre natural; e) falecimento do trabalhador; f) quando o titular tiver 70 anos; g) doenças graves (como câncer e HIV); h) quando o trabalhador permanecer por três anos ininterruptos fora do regime do FGTS; i) aquisição de moradia própria, liquidação ou amortização de dívida ou pagamento de parte das prestações de financiamento habitacional e sistemas imobiliários de consórcio.

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* FÁBIO GALLO É PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV E DA PUC-SP

 

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