Decisão do CMN pode provocar queda de juros

Uma decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) anunciada nesta tarde pode provocar um aumento do volume de recursos disponíveis para as operações de crédito, e uma possível redução das taxas de juros para o consumidor. Esta é a avaliação do presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Ricardo Malcon, a respeito da resolução do Conselho que permite que as instituições financeiras operem com derivativos de crédito.Malcon explica que os derivativos de crédito são operações que transferem de uma instituição para outra o risco de uma carteira de crédito. O diretor de normas do Banco Central (BC), Sérgio Darcy, acredita que este derivativo funcionará como um seguro das operações em carteira de crédito das instituições financeiras, segundo apurou o repórter Renato Andrade.Um exemplo: uma instituição financeira "A" transfere o risco de sua carteira de crédito a uma instituição "B". Na negociação entre as financeiras, é estabelecido como será dividido o ganho com os juros pagos pelos tomadores de crédito, a contratação ou não de um seguro de inadimplência e de que forma este seguro será pago.O objetivo desta operação é que a financeira "A" receba recursos da financeira "B" que, em troca, receberá parte do ganho com as operações de crédito. "Esta operação vai gerar recursos para financeiras que estão mais capacitadas a emprestar dinheiro. Já as que têm uma carteira menor de crédito e mais dificuldade na colocação de seus produtos, poderão ganhar com parte dos juros pagos em operações de crédito de outra instituição", afirma.Para o consumidor, segundo Malcon, o resultado desta operação também poderá ser favorável. "Com mais recursos para emprestar, a financeira ´A´ do exemplo poderá reduzir suas taxas de juros na ponta, para o consumidor. Além disso, como a operação envolve a contratação de um seguro contra a inadimplência, o custo do dinheiro a ser emprestado tende a ser menor, o que também possibilita uma redução dos juros ao tomador de crédito", afirma.Malcon destaca que estas operações serão registradas na Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos (Cetip). "Isso vai impedir que uma financeira venda o risco de crédito de uma mesma carteira para duas instituições financeiras diferentes", afirma.Medida depende de circularAs normas definindo como serão essas operações com derivativos de crédito devem ser divulgadas pelo Banco Central por meio de carta circular dentro de 15 dias. A partir do momento em que forem divulgadas essas normas, as instituições já poderão iniciar as operações de derivativo.

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