Decisão do Copom não surpreende analistas

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a Selic, a taxa básica de juros da economia, em 18,5% ao ano. O resultado foi anunciado há pouco e, segundo apuração do jornalista Gustavo Freire, a manutenção foi garantida por cinco votos a favor e três contra. O comunicado divulgado ao final da reunião afirma que "embora existam sinais de que os preços livres estejam convergindo para a trajetória desejada, o balanço dos riscos ainda não permite uma redução dos juros". A próxima reunião do Copom acontecerá nos dias 18 e 19 de junho.Os riscos que impediram uma queda da taxa Selic neste mês serão conhecidos na próxima quarta-feira, quando o Comitê divulgará a ata da reunião realizada hoje. De qualquer forma, analistas acreditam que estes pontos estão relacionados ao cenário eleitoral, cujas incertezas têm provocado forte instabilidade nos mercados. Alguns números revelam a piora do cenário, desde a última reunião do Copom. Segundo relatório do Lloyds TSB, são eles: a alta de 6,5% nas cotações do dólar, alta do preço do barril do petróleo e elevação da taxa de risco-país de 730 pontos base para um patamar superior a 900 pontos base. Por outro lado, segundo analistas, ainda existe uma preocupação com o comportamento da inflação, o que fez com que grande parte dos analistas apostasse em manutenção dos juros.Inflação ainda preocupa analistasEntre os que fizeram uma previsão acertada em relação à decisão do Copom está o diretor do West LB Asset Management, André Reis. "Uma decisão mais conservadora neste momento foi a melhor opção. Um corte de juros agora poderia ser visto como uma medida eleitoreira. Além disso, em relação aos índices de preços, ainda não foi constatada a queda esperada", afirma.Em 2002, a meta de inflação é 3,5%, com margem de tolerância de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - usado como referência para a meta - está em 2,30% até abril. No ano passado, no mesmo período, o índice estava em 2,0%. Outra preocupação dos analistas em relação ao contexto inflacionário é a permanência do núcleo dos índices em patamares elevados. Nos últimos quatro meses, o núcleo, que representa a apuração dos preços não influenciados por condições sazonais, apresentou uma alta média de 0,55%. Isso significa que, anualizado, o núcleo da inflação pode chegar a 6,80%.Perspectivas para a próxima reuniãoO economista-chefe do ABN Amro Asset Management, Hugo Penteado, também esperava pela manutenção da Selic em 18,5% ao ano. Mas ele acredita que, a partir da próxima reunião do Copom, a tendência de redução dos juros pode ser retomada. "O encaminhamento do processo eleitoral estará mais claro e será possível uma retomada da queda dos juros", afirma. O economista prevê que, até as eleições presidenciais em outubro, a Selic estará em 16,5% ao ano. Segundo Penteado, a inflação deve recuar nos próximos meses, apesar da alta do dólar verificada nos últimos dias. "A pressão de alta sobre o dólar não necessariamente é repassada de forma integral para os preços, pois muitos deles já foram ajustados dentro de uma taxa de câmbio em torno de R$ 2,50. Além disso, não há pressão de demanda, o que contribui para a queda da inflação", destaca.Veja na matéria seguinte a reação dos mercados à decisão do Copom.

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