Decisão do Copom vem sem surpresas e repetição do comunicado evita ruídos

Dúvida do mercado continua sendo significado de 'suficientemente prolongado', citado pelo BC para meta da inflação 

Flavio Leonel, da Agência Estado,

28 de novembro de 2012 | 20h19

SÃO PAULO - A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), de manter a taxa básica de juros na marca mínima histórica de 7,25% ao ano, veio dentro do que já era esperado pelo economista Thiago Carlos, da Link Investimentos. Em entrevista concedida à Agência Estado, ele avaliou que a manutenção já estava precificada pelo mercado financeiro e destacou que a própria repetição do comunicado divulgado à imprensa pelo BC, com explicação igual ao do encontro de outubro, foi importante para evitar eventuais ruídos nas diversas interpretações que podem ser feitas pelos analistas.

"Como já era esperado, a decisão veio sem surpresas, com o comunicado sem alterações", comentou Thiago Carlos. "O comunicado anterior tinha deixado bem claro que o Copom manterá a taxa básica de juros por um bom tempo. Se o BC queria passar bem a mensagem, tinha mesmo é que repetir o texto, para evitar uma má interpretação", destacou.

O economista fazia parte da maioria esmagadora dos analistas do mercado financeiro que, segundo levantamento do AE Projeções, aguardavam a manutenção da Selic no nível atual. De acordo com o serviço especializado da AE, 81 de 82 casas trabalhavam com este cenário.

De acordo com Thiago Carlos, a dúvida do mercado continua sendo o significado do termo "suficientemente prolongado", citado pelo Banco Central como estratégia para garantir a convergência da inflação para a meta. "A questão é saber por quanto tempo o BC vai manter a taxa de juros estável", disse.

Para o economista, a Selic continuará no nível de 7,25% ao ano até o fim de 2013. "Não vemos a recuperação da atividade econômica tão robusta assim para o ano que vem", explicou, referindo-se à posição da Link Investimentos, com um cenário de juros diferente de algumas casas, que apostam em alta nos juros em meados de 2013, justamente em função de uma aceleração do crescimento. "Estamos com previsão de expansão de 3,2% para o PIB (Produto Interno Bruto) para o ano que vem", adiantou.

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