Decisão do Fed e fala de Yellen impulsionam dólar e juros futuros

Cenário:

CLARISSA MANGUEIRA, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2014 | 02h05

A decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) mudou na tarde de ontem a dinâmica dos mercados financeiros. Ao manter sua taxa de juros entre zero a 0,25%, mas reduzir novamente em US$ 10 bilhões as compras mensais de bônus, o Fed deu força ao dólar e aos yields (retornos) dos Treasuries (títulos do Tesouro norte-americano), enquanto as Bolsas de Nova York derreteram. O Fed também abandonou o limite de referência de 6,5% da taxa de desemprego para que os juros comecem a subir no país e a presidente da instituição, Janet Yellen, adotou um tom menos "dovish" (suave) ao sinalizar que as elevações na taxa de juros podem começar no primeiro semestre de 2015, cerca de seis meses após a retirada dos estímulos.

Em reação, o dólar no Brasil, que oscilou em baixa na parte da manhã, passou a registrar ganhos ante o real, em sintonia com o que era visto no exterior. A moeda americana negociada no balcão fechou em alta de 0,47%, a R$ 2,3520. No mercado futuro, o dólar para abril avançou 0,55%, a R$ 2,3560.

Na renda fixa, as taxas dos contratos futuros de juros já operavam em alta desde cedo, após a divulgação de novos dados ruins de inflação No Brasil: o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) subiu 0,68% na segunda quadrissemana de março e o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) disparou para 1,41% na segunda prévia de março. As preocupações com a área fiscal também garantiam o viés de alta para os juros, sendo que o movimento se intensificou durante a tarde, após o anúncio do Fed. Com dólar e yields dos Treasuries em alta, os juros subiram de forma consistente no Brasil e, na prática, traduziram as apostas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) subirá a Selic (a taxa básica de juros) em 0,25 ponto porcentual em abril e fará novas elevações depois disso. Alguns profissionais enxergam um pouco de exagero, já que o Banco Central vem sinalizando a proximidade do fim do atual ciclo monetário, mas o fato é que a curva de juros já prevê aumentos da Selic - atualmente em 10,75% - até o fim do ano.

A Bovespa até chegou a ser prejudicada pelo anúncio do Fed, que pesou sobre os índices de Nova York, mas ainda assim terminou em alta. O índice à vista avançou 0,90%, aos 46.567,23 pontos. O movimento foi liderado pelas ações de empresas estatais, favorecidas por comentários, nas mesas de operação, de que uma pesquisa eleitoral prestes a ser divulgada mostrará perda de votos para Dilma Rousseff. Em Nova York, o Dow Jones cedeu 0,70%, o S&P 500 teve baixa de 0,61% e o Nasdaq recuou 0,59%.

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