Decisão do FED não surpreende analistas

Mais uma vez a decisão do banco central norte-americano (FED) não surpreendeu o mercado financeiro. A alteração da tendência de alta das taxas de juros para uma tendência de baixa já era esperada pelos analistas. Alguns chegaram a acreditar que o FED pudesse cortar as taxas - que estão em 6,5% ao ano - em 0,25 ponto porcentual. De acordo com Odair Abate, economista-chefe do Lloyds TSB, o recuo do nível de atividade econômica percebido pela queda do PIB é o principal motivo para a nova definição do FED sobre o rumo dos juros nos Estados Unidos. No primeiro trimestre de 2000, o crescimento do PIB ficou em 4,8%; no segundo, 5,6%; e, no terceiro, 2,4%. "Um economia que crescia mais de 5% ao ano reduziu sua atividade para 2,4%. Esse é o melhor sinal de que a atividade econômica nos Estados Unidos está em processo de desaceleração", explica.Além disso, Abate ressalta a depreciação do efeito riqueza. Isso significa que, com as sucessivas quedas nas bolsas de Nova York, a poupança do norte-americano, em grande parte aplicada em ações, ficou menor. "Com menos recursos, a tendência é de que o consumo apresente uma redução, a inflação fique controlada e as taxas de juros poderão recuar", esclarece. Vale lembrar que mais de 60% da poupança dos norte-americanos tem recursos aplicados no mercado acionário, de acordo com estudos de bancos estrangeiros.Motivos para a cautela do FEDLuiz Rabi, economista-chefe do BicBanco, cita alguns fatores que impediram a redução da taxa de juros nos EUA agora: "A taxa de desemprego está em 4%, um dos patamares mais baixos, enquanto, ao mesmo tempo, a indústria continua criando novas vagas e os salários continuam subindo". O executivo também acredita que o cenário político influenciou a decisão do FED. De acordo com Rabi, seria muito precipitado um corte de juros agora. "O novo presidente dos EUA, George Bush, já anunciou que pretende recortar US$ 1,3 trilhão de dólares em impostos, concentrando mais dinheiro na mão das indústrias, o que pode provocar algum aquecimento na economia do país", afirma. Juros podem cair no início de 2001Marcelo Carvalho, economista-chefe do JP Morgan, era um dos que esperava uma alteração na tendência dos juros norte-americanos. Ele afirma que, caso o FED tivesse adotado uma postura mais ousada - de redução da taxa de juros - o mercado financeiro ficaria surpreso. A expectativa de Carvalho é de que as taxas caiam no início do próximo ano. "O corte deve ser de 0,25 ponto porcentual na reunião de 31 de janeiro e 0,25 ponto porcentual no encontro de 20 de março", prevê. Abate, do Lloyds TSB, também espera um corte na taxa no primeiro trimestre de 2001.

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