André Dusek / Estadão
André Dusek / Estadão

'Decisão é corriqueira', diz Maggi sobre suspensão na compra de carne brasileira

Após Rússia paralisar importação de carnes de frigorífico nacional, ministro da Agricultura minimiza situação

Leonêncio Nossa e Letícia Fucuchima, O Estado de S.Paulo

04 Novembro 2017 | 13h16

BRASÍLIA e SÃO PAULO - O Serviço Federal de Vigilância Sanitária e Veterinária da Rússia anunciou ontem a suspensão temporária das importações de carne bovina do frigorífico Mataboi, citando substâncias fora do padrão sanitário do controle adotado pelo país. As autoridades russas impuseram ainda controles mais rígidos a outros cinco frigoríficos brasileiros.

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse ao Estado que a decisão da Rússia, um dos maiores compradores da carne brasileira, é um procedimento comum. “Esses procedimentos são atitudes quase corriqueiras no mercado”, afirmou. “Às vezes, há um lote que está fora do padrão, não está em conformidade. Eles fazem uma suspensão temporária para o produto voltar ao mercado.”

Maggi ressaltou que, por estar fora de Brasília, ainda não tinha detalhes da decisão. Ele descartou qualquer semelhança com os problemas ocorridos no setor em março, quando a União Europeia chegou a suspender as exportações de carne brasileira em meio à Carne Fraca, operação da Polícia Federal que investigou adulterações pelos maiores frigoríficos do País. 

O ministro observou que, nos últimos meses, o governo conseguiu reverter a situação. As exportações foram normalizadas. Ele minimizou o problema verificado com os produtos do Mataboi. “Isso é um problema que deve ter surgido no embarque. Não vejo nada de extraordinário. Nós também adotamos essas medidas. São procedimentos normais. É preciso ver qual é o problema e resolver.”

A medida adotada pelas autoridades russas ao Mataboi passará a valer a partir do dia 15 deste mês. Para os produtos embarcados antes dessa data, serão feitas inspeções adicionais. A decisão vale também para gordura e miúdos bovinos produzidos pelo frigorífico. As autoridades russas não informaram até quando a suspensão das compras estará em vigor.

Restrições. Além da suspensão, outros cinco frigoríficos brasileiros serão alvo de restrições. As vendas de carne bovina de JBS, Frigo Estrela, Frigol e Frigon - Irmãos Gonçalves passarão por controles mais rígidos. Já no caso do frigorífico Aurora, as restrições serão na exportação da carne de porco. 

De acordo com o despacho publicado no site da agência russa, essas novas restrições estão em vigor desde o dia 30 de outubro. Procurados, Frigo Estrela, Frigol, Aurora e Frigon - Irmãos Gonçalves não foram encontrados para comentar a decisão das autoridades russas. JBS decidiu não comentar.

Por meio de sua assessoria, o frigorífico Mataboi afirmou que ainda não tem detalhes da decisão do governo russo. A empresa ressaltou que vai verificar o que ocorreu para regularizar a situação. A medida atingiu a planta do frigorífico em Santa Fé, Goiás. A outra unidade da companhia, a de Araguari, em Minas Gerais, não sofreu restrições. A empresa ressaltou que não haverá alteração na produção e compra de bois, pois direcionará suas vendas, nesse período, para outros mercados. O frigorífico ainda destacou que esses procedimentos são comuns no mercado de carnes.

++ Exportação de carne tem peso grande na balança comercial brasileira

Cade. No mês passado, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) reprovou a compra do frigorífico Mataboi pela JBJ, empresa de José Batista Júnior, irmão mais velho de Joesley e Wesley Batista. A compra foi anunciada em 2014, quando o Mataboi estava em recuperação judicial.

Todos os conselheiros seguiram o relator do processo que, em seu voto, considerou que o parentesco do dono da empresa, conhecido como Júnior Friboi, e os controladores da JBS poderia criar riscos concorrenciais.

As empresas terão 30 dias para separar seus negócios, mas o presidente do Mataboi, José Augusto Carvalho, disse na ocasião que iria recorrer à Justiça.

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