Decisão não terá efeito imediato no mercado brasileiro

Para produtores, fim das barreiras tarifárias nos Estados Unidos trará benefícios apenas no longo prazo

O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2011 | 03h03

O tão esperado fim das barreiras tarifárias dos Estados Unidos para a importação de etanol foi comemorado pelos produtores com moderação. Todos fazem questão de destacar a importância da medida conquistada após anos de muita discussão, mas avaliam que o efeito não será imediato. "O resultado virá no longo prazo", disse o presidente do Grupo Maubisa, Maurílio Biaggi.

Ele reconhece que, se fosse em outra época, a queda das tarifas seria festejada com rojões. Mas a indústria brasileira de etanol, explicou, vive um momento "inacreditável", com menos produto no mercado e vendas em queda por causa da perda de competitividade do produto ante a gasolina. Nos últimos dois anos, o volume de carros bicombustível abastecidos com etanol caiu drasticamente. A participação, que atingiu 60% na safra 2008/2009, está em 35%.

O ex-presidente da União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica) Eduardo Pereira de Carvalho, da Expressão Consultoria, também entende que o efeito prático do fim da tarifa americana virá no futuro. "De qualquer forma, é uma medida extremamente importante para o Brasil, que pode criar condições básicas para voltarmos a ser competitivos."

Carvalho se refere ao fato de o País ter perdido a liderança no ranking mundial de menor custo de produção de cana. De 2005 para cá, o custo cresceu mais de 40% por causa da valorização do real ante o dólar, escassez de mão de obra e alta no preço da terra. Além disso, a produção está diminuindo.

Esta safra, por exemplo, será 10% menor que a anterior. Primeiro, porque houve quebra de safra por problemas climáticos. Segundo, porque a produtividade despencou por causa da redução de investimento. Saiu de uma média de 86 toneladas por hectare para 69 toneladas.

Isso provocou uma redução de quase 29% no volume de etanol hidratado, aquele vendido nos postos de combustíveis. "Neste momento, temos de lutar para reconquistar o mercado interno, arrumar a casa e voltar a investir no aumento da produção", destacou o diretor-presidente da Companhia Brasileira de Açúcar e Álcool, José Pessoa de Queiroz Bisneto.

Na opinião dele, a retirada das barreiras americanas pode dar impulso nos investimentos no País, especialmente por parte dos estrangeiros.

Ele ressaltou, entretanto, que as multinacionais vão injetar dinheiro no Brasil de olho na exportação de etanol, especialmente para atender ao mercado americano, que vai demandar alguns bilhões de litros do combustível. Boa parte delas já está aqui, como a Shell, a British Pretroleum (BP) e a Bunge. / R.P.

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