JOÉDSON ALVES/EFE-9/12/217
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Decisão para fechar questão sobre Previdência foi 'quase unânime', diz Alckmin

Recém-eleito presidente do PSDB, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, também não descartou 'retaliações futuras' para deputados que votarem contra a indicação da Executiva tucana

Thiago Faria, O Estado de S.Paulo

13 Dezembro 2017 | 14h32

BRASÍLIA - A recém-eleita Executiva do PSDB decidiu nesta quarta-feira, 13, fechar questão sobre da reforma da Previdência. A reunião em que a decisão foi tomada contou com a participação do líder da bancada na Câmara, deputado Ricardo Tripoli (PSDB-SP), que também faz parte da Executiva, além de outros 15 deputados da sigla.

Segundo o presidente do partido, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, a decisão do partido foi "praticamente unânime" e é "sem sem ressalvas", ou seja, independe do texto que deverá ser levado à votação na Câmara. Quando um partido fecha questão sobre determinado tema, os parlamentares da bancada precisam seguir a orientação nas votações, sob pena de sofrerem punições. No PSDB, porém, nenhuma retaliação foi discutida. 

"Isso (punição) não foi discutido nessa reunião. O partido toma uma decisão que, não sei se inédita, mas não usual, de fechamento de questão, deixando claríssima nossa posição favorável. Vamos fazer o convencimento para ter o maior número de votos. Esse não é o momento de dicutirmos punição. Não está excluída punição, mas a nossa primeira tarefa é convencimento e está indo bem", disse Alckmin. "Tomamos uma decisão praticamente unânime. Não teve nenhuma decisão contrária ao fechamento de questão em relação à reforma da Previdência. Nossa posição é clara", afirmou o governador.

Além de Alckmin, participam do encontro o governador de Goiás, Marconi Perillo, primeiro vice-presidente da legenda, o ex-vice-governador Alberto Goldman, que comandou o PSDB até a semana passada, e o senador Tasso Jereissati, que também ocupou a presidência interina nos últimos meses, além de deputados e outros membros da Executiva. O ex-presidente da legenda, senador Aécio Neves (MG), não participou.

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A decisão sobre o fechamento de questão foi antecipada pelo Twitter pelo deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), ex-ministro de Temer, enquanto a reunião ainda acontecia.

Antes de a reunião acabar, o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) disse que, mesmo com o fechamento da questão, foi autorizado por Alckmin a discutir com o relator da proposta, deputado Arthur Maia (PPS-BA), mudanças no texto. A bancada tucana defende uma regra especial de transição para servidores que entraram na administração pública até 2003.

 "Essa transição proposta é socialmente injusta. Não tem ressalva, mas fui incumbido pela Executiva de levar ao relator temas caros à bancada, como essa regra de transição", disse. "É imprescindível que humanizemos a discussão sobre reforma da Previdência."

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Antes de a reunião acabar, o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) disse que, mesmo com o fechamento da questão, foi autorizado por Alckmin a discutir com o relator da proposta, deputado Arthur Maia (PPS-BA), mudanças no texto. A bancada tucana defende uma regra especial de transição para servidores que entraram na administração pública até 2003.

Questionado sobre a condição, Alckmin disse não se tratar da posição do partido. "A nossa posição na Executiva foi aprovar o fechamento de questão sem nenhuma exigência. Cada parlamentar exerce seu mandato, mas não há nenhuma exigência do partido", afirmou Alckmin.

Bancada. O líder da bancada, Ricardo Tripoli (PSDB-SP), afirmou que dos 46 deputados do partido, mais de 20 apoia a reforma da Previdência. Segundo ele, o fechamento de questão deixa alguns parlamentares mais "confortáveis" para votar a favor da proposta. "Ampliamos o número que era em torno de 12. Não temos o número exato, mas digo que já ultrapassamos o número de 20 parlamentares favoráveis (à reforma da Previdência) e estamos rumando para 50% da bancada. Vamos ainda continuar", disse ele. "Com o fechamento de questão alguns deputados se sentirão mais confortáveis até para votar com o partido."

Segundo o Placar da Previdência do Estadão, apenas 11 parlamentares do partido se declara favorável à proposta defendida pelo governo de Michel Temer.

Ao deixar a reunião,  a deputada Mariana Carvalho (PSDB-RO), que se declara contrária à proposta, disse ser improvável que haja retaliações a quem votar contra a reforma. "Não tem como ter punição. Vai expulsar metade do partido?

Andamento. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), confirmou nesta quarta-feira, 13, o início da discussão da reforma da Previdência no plenário da Casa para esta quinta-feira, 14, mas não garantiu que ela se encerrará ainda este ano. Segundo ele, se a votação da proposta ficar para 2018, o debate deve se estender até fevereiro. 

Ontem, Maia afirmou que a "intenção" é começar a votação da reforma no plenário na próxima terça-feira, 19, mas que continuava achando "muito difícil" o governo conseguir os 308 votos mínimos necessários para aprovar a matéria até lá. Ele disse que só fará a votação, "no limite", quando o governo tiver pelo menos 315 votos favoráveis, embora o "ideal" fosse 330 votos.

Na ofensiva em busca dos 308 votos necessários para aprovar o texto, Temer pediu aos ministros da Educação, Mendonça Filho (DEM); da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab (PSD); e dos Transportes, Maurício Quintella (PR) para que convençam suas bancadas a fecharem questão a favor da reforma – ou seja, que obriguem os deputados a votarem como o partido manda, sob o risco de punição.

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