Decisão pode afetar expansão e valorizar real

O vice-presidente da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), Alfredo Moraes, acredita que a elevação da taxa Selic em 0,75 ponto porcentual terá efeito marginal sobre a demanda por crédito. "Podemos definir mais como água na fervura", afirmou. "O que pode ocorrer é uma redução na razão do crescimento (para o ano)."

, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2010 | 00h00

Nas contas da entidade, o ciclo total de elevações da Selic deve chegar a 11,75% - com mais três altas de 0,75 ponto nas reuniões do Copom de junho, julho e agosto. "Isso vai esfriar um pouco a economia, que em 2010 já se recuperou totalmente dos problemas do ano passado (em decorrência da crise global)", observou Moraes.

Para o gerente-executivo da unidade de pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Renato da Fonseca, o aumento da taxa de juros deve provocar nova valorização do real. Segundo Fonseca, a crise na Europa já torna o Brasil mais atrativo para o capital estrangeiro, em comparação com os mercados europeus - fato que, somado aos juros mais elevados, deve aumentar a entrada de dólares no País e pressionar o câmbio. De acordo com ele, juro mais alto não tem impacto imediato no consumo, e sim nos investimentos, que geram capacidade produtiva para atender à maior demanda.

Fonseca defende o uso de outros instrumentos pelo governo - como a política fiscal - para conter a expansão do consumo. Ele disse que, se houver uma paralisação dos investimentos, haverá um atraso na retomada do crescimento da economia.

O ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, disse não acreditar que um eventual aumento da taxa Selic possa afetar as exportações. "Em princípio, pode trazer mais dólar, mas acho que não terá grande efeito no câmbio." / LEANDRO MODÉ E RENATA VERÍSSIMO

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