Decisão política de Lula definirá capitalização da Petrobrás

O imbróglio em que se transformou a discussão sobre a capitalização da Petrobrás não tem desfecho simples. A decisão será política com a arbitragem, de comum acordo, do valor do barril de petróleo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não descarta um novo adiamento da capitalização, quer uma solução que preserve o valor da empresa e reverta o quadro de volatilidade no preço da ação, que teve quedas expressivas esta semana.

Cenário: Beatriz Abreu, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2010 | 00h00

Na avaliação do Planalto, o mercado está especulando para derrubar a ação da Petrobrás e recomprá-la "na bacia das almas", no momento da capitalização. Ninguém atribui diretamente ao megainvestidor George Soros a derrubada do valor das ações, mas há a percepção de que ele pode ter influenciado a decisão de outros investidores.

O principal obstáculo para marcar a data da capitalização é o preço do barril. O governo tenta, mas ainda não encontrou a engenharia financeira para definir um modelo que impeça a diluição da base acionária. "Não tem como definir um prazo (para capitalização) se os dois principais envolvidos - União e Petrobrás - não chegam a um acordo", alega um assessor. Esse acerto envolve também os minoritários, para evitar que a operação seja questionada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o que preocupa Lula.

A decisão política do Planalto é garantir pelo menos a mesma fatia de participação da União (55,6% da União do capital total) e não inviabilizar a participação dos minoritários. Nas condições apresentadas a Lula esta semana, essa conta não fecha.

O quebra-cabeça tem outras peças que agregam insegurança ao processo de capitalização. Além do preço, o governo avalia o momento político e as necessidades financeiras, que não estão coincidindo. Se o propósito for assegurar maior poder de fogo à Petrobrás, o timing financeiro pode ser agora, principalmente se houver uma recuperação no valor das ações. O timing político está relacionado diretamente às eleições e a pergunta que não quer calar: será bom para a empresa, para a campanha presidencial de Dilma Rousseff, candidata de Lula, fazer a capitalização três dias antes das eleições?

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