Decisão sem surpresas reflete redução de ruídos

Análise: José Paulo Kupfer

O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2011 | 03h06

Não houve surpresa na decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) anunciada na noite de ontem. Diferentemente do corte de 0,5 ponto porcentual na taxa básica de juros decidido em fins de agosto, a nova redução de 0,5 ponto porcentual anunciada na noite de ontem já era esperada pela quase totalidade dos analistas.

Seria exagerado concluir que a ausência de surpresas com o novo corte da taxa básica de juros indique que o Banco Central se recuperou inteiramente do desgaste sofrido em fins de agosto, quando iniciou um polêmico ciclo de afrouxamento monetário. Mas é visível que o ambiente desanuviou nos últimos 45 dias, os ruídos diminuíram e o BC retomou espaços para desempenhar a tarefa de coordenar expectativas na economia brasileira. É de se destacar, nesse sentido, a reafirmação da convicção de que a inflação convergirá para a meta em 2012, expressa no comunicado emitido ao fim da reunião do Copom.

Alguns fatores operaram em favor do BC nessa batalha das expectativas. Um deles tem origem no prolongamento e no aprofundamento da crise global. Além disso, no período compreendido entre uma reunião e outra do Comitê de Política Monetária (Copom), as perspectivas de redução do ritmo de crescimento da economia doméstica foram se tornando menos ambíguas.

Para completar, mesmo permanecendo em zona desconfortável, a inflação tende a dar uma relativa trégua pelo menos até meados do ano que vem. Amainaram as volatilidades no mercado de câmbio e os temidos altos aumentos salariais reais do segundo semestres não estão se confirmando - pelo menos com a intensidade que alguns previam há um mês e meio.

Até a próxima reunião do Copom, em fins de novembro, o governo terá tempo para equilibrar melhor sua aposta na nova combinação de política macroeconômica iniciada, sem aviso prévio suficientemente explícito, em agosto. Isso significa oferecer, com mais transparência e firmeza, indicações de que compensará o necessário alívio na política monetária com disciplina no controle e uso mais eficaz dos gastos.

Subsistem muitos ruídos na área fiscal - do impacto do aumento do salário mínimo às dubiedades do Orçamento para 2012 - e eles também precisam ser eliminados.

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