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Decisão sobre aço será mais política que técnica

A possibilidade de o presidente George W. Bush isentar as nações em desenvolvimento das restrições que deve anunciar amanhã às importações de aço, citada ontem pelo New York Times, não significa que os exportadores brasileiros serão poupados de mais uma medida protecionista nos Estados Unidos. A advertência foi feita pelo advogado Chris Dunn, da firma Willkie Farr & Gallagher, que representa o Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) em Washington. "Os assessores técnicos apresentaram as opções à Casa Branca e, até onde sei, elas incluem tarifas da ordem de 20% para os produtos acabados e uma cota tarifária para os semi-acabados." O Brasil é o principal fornecedor externo de placas semi-acabadas de aço carbono para os EUA, tendo vendido meio bilhão de dólares desse produto em 2001. Uma cota grande o suficiente para preservar as exportações de semi-acabados nos seus níveis atuais é o melhor que as exportadores brasileiros podem esperar, segundo os especialistas. "Mas a situação é preocupante porque não serão os assessores técnicos, mas os assessores políticos na Casa Branca, que influenciarão a decisão final de Bush", explicou Dunn. "Eles estão preocupados com o impacto eleitoral da decisão, não sabem nada sobre aço, não compreendem o impacto que uma tarifa de 5%, 10% ou 20% pode ter no mercado siderúrgico e acham que um processo de salvaguardas envolve questões sobre práticas desleais de comércio, o que não é o caso", afirmou Dunn. Qualquer que seja a decisão, Dunn acredita que suas implicações não ficarão imediatamente claras e exigirão alguns dias de análises. "Acho que a Casa Branca vai anunciar esta semana é um par de números, sem maiores detalhes, e nós teremos que interpretar o que significam para cada categoria de produto." As mais de duas dúzias de produtos que podem sofrer restrições foram agrupados em quatro grandes categorias pela Comissão de Comércio Internacional dos EUA. DesastreOs exportadores brasileiros estão interessados especialmente no que acontecerá com os aços planos, que incluem a maior parte dos semi-acabados produzidos para o mercado americano. Os representantes da indústria e do governo brasileiros disseram aos EUA que estão dispostos a conviver com uma cota, mas não com tarifas. "Estamos nervosos por causa da possibilidade de os assessores políticos da Casa Branca acharem que uma tarifa de 5% a 10% dentro da cota não fará diferença, quando, para os exportadores brasileiros, ela seria um desastre", disse Dunn. Diplomatas brasileiros disseram que a reação da indústria brasileira balizará a resposta política do País às restrições que Bush anunciar. Razões políticas parecem já ter feito a Casa Branca decidir que vai impor tarifas pesadas à importação de folha de flandres, usada para fazer latas. O principal fabricante do produto nos EUA, a Weirton Steel, é um dos maiores empregadores de Virginia Ocidental, o Estado que deu a Bush os decisivos quatro votos no colégio eleitoral e o elevou à Casa Branca. Razões políticas e a associação dos Estados Unidos com o México e o Canadá no Acordo Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta) levaram a Casa Branca a isentar os dois países das restrições. China, Taiwan, Japão, Coréia do Sul e Alemanha serão os mais punidos, segundo o New York Times.

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