Decisão sobre TJLP será técnica, defende Bernardo

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse hoje que a decisão sobre um corte da Taxa de Juro de Longo Prazo (TJLP) será técnica e rejeitou a possibilidade de uma reação nervosa por parte do mercado financeiro, caso o Conselho Monetário Nacional (CMN) decida por uma redução mais forte da taxa na reunião de amanhã.A TJLP determina a base do juro anual cobrado pelo BNDES na concessão de um empréstimo. Além da TJLP, que incide igualmente em todos os contratos, são cobrados também juros adicionais (spreads) que variam de zero a cerca de 5% ao ano, dependendo do projeto. Atualmente a TJLP está cotada em 9% ao ano.Apesar dessa afirmação, Bernardo enfatizou que não conversou nem com o novo ministro da Fazenda Guido Mantega nem com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, sobre o assunto. Também não houve tempo para a reunião técnica preparatória para o encontro do CMN. Embora tenha dito que a defesa da redução dos juros é "unânime" no Brasil, Bernando enfatizou que a decisão sobre a TJLP será a viável, técnica, conversada e consensuada.Bernardo admite que será o fiel da balançaEle admitiu que poderá ser o fiel da balança na reunião do Conselho, já que estará entre uma postura mais conservadora do presidente do BC e de Mantega. "Talvez seja uma possibilidade", respondeu, ao ser indagado sobre o provável embate de posições. O ministro insistiu, no entanto, que as decisões do CMN não são votadas, são decisões consensuais de seus três integrantes - no caso, Mantega, Meirelles e o próprio Bernardo.Segundo Bernardo, o Brasil tem hoje condições de continuar a redução da taxa de juros, inclusive a Selic (a taxa básica de juros da economia) e as taxas de mercado. Mas, para isso, é preciso manter as premissas da política econômica. "Temos de ter uma política econômica previsível, em que os agentes prevejam o que vai acontecer em seis meses, em dois anos."

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