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Decisão sobre transgênicos deve sair antes do feriado, diz Guedes

O ministro da Agricultura, Luís Carlos Guedes Pinto, disse nesta terça-feira, em entrevista ao vivo ao AE Agronegócios, que terá uma reunião à tarde para discutir o uso de sementes próprias transgênicas de soja nesta safra. "Estive em Porto Alegre na tarde de quinta-feira e na sexta-feira, onde participei de diversas reuniões com representantes do setor, tanto da Fetag (Federação dos Trabalhadores na Agricultura) como da Farsul (Federação de Agricultura do Rio Grande do Sul), além de outras entidades, e a reivindicação nos foi apresentada. Hoje (terça) à tarde terei reunião com outros segmentos envolvidos, pois a decisão não depende apenas do Ministério da Agricultura, pois envolve o Ministério do Desenvolvimento Agrário e outros setores do governo", afirmou. Segundo Guedes Pinto, a decisão será tomada "com muita tranqüilidade", avaliando os impactos. "O que eu gostaria de declarar neste momento é que já houve quatro exceções neste processo. Foram três medidas provisórias e um decreto com força de lei. Por quatro anos o governo teve que abrir exceção." Agora, enfatizou o ministro, se for aberta exceção "será a última vez". "O que eu expus na reunião do Rio Grande do Sul é que, fosse qual fosse a decisão do governo, esta será definitivamente a última vez que se abrirá exceção, caso se abra." Sobre a declaração do ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, de que o governo poderia editar medida provisória para liberar o plantio de sementes próprias dos agricultores, Guedes disse ser "uma hipótese". "Vou me reunir com ele hoje e tenho marcada uma reunião com a ministra Dilma Roussef para o final da tarde. Espero que antes do feriado de 7 de setembro esta decisão seja tomada."Política agrícolaGuedes defendeu uma mudança no modelo de política agrícola brasileiro, uma vez que o atual já está esgotado. Para o ministro, não é possível mais reagir às crises da agricultura, que pela própria natureza do setor, depende dos fenômenos da natureza, sobretudo do clima. "Precisamos construir um novo modelo, onde, em primeiro lugar, precisamos diversificar as fontes de financiamento", disse Guedes, referindo-se à concentração do Banco do Brasil nas concessões de crédito agrícola.O ministro disse que, a ampliação dos novos certificados de recebíveis e o aumento dos recursos destinados ao seguro rural são alguns instrumentos que já foram criados como forma de modernizar a política agrícola brasileira. "Além disso, nós precisamos trabalhar pelo crescimento dos mercados futuros, que em dúvida alguma é uma maneira de nossos produtores se resguardarem", disse Guedes.Com esses instrumentos, o ministro acredita que seja possível diversificar e ampliar as fontes de financiamento ao setor. Outro ponto que merece atenção, na avaliação de Guedes, são os contratos firmados entre os produtores rurais e setores com os quais ele se relaciona, sobretudo para os quais ele vende sua produção. Para o ministro, esses contratos precisam ser aperfeiçoados.AjudaA crise enfrentada pelo agronegócio neste ano custou ao Tesouro Nacional mais de R$ 4 bilhões, conforme informou o ministro. Segundo Guedes, esses foram recursos que foram simplesmente transferidos ao setor. "Estamos trabalhando junto com o Ministério da Fazenda para dimensionar o quanto estas crises têm custado para o Tesouro Nacional", disse.O ministro acredita que quando o estudo que está sendo realizado junto com a Fazenda, retroativo aos últimos 15 anos de repasses do Tesouro para agricultura nas crises, estiver pronto, será possível ter uma idéia do volume anual de recursos que são destinados ao setor. "A meu ver, com volume menor de recursos, dirigido, sobretudo ao seguro rural, nós poderíamos dar muita tranqüilidade ao produtor e ao governo para atravessar estas dificuldades que fazem parte da natureza da produção agrícola", disse.ExportaçõesGuedes disse também que a desaceleração da economia mundial, puxada, principalmente, pelos Estados Unidos, não deve prejudicar as exportações do agronegócio brasileiro. De acordo com o ministro, uma retração na renda das pessoas não provoca um impacto significativo na demanda por commodities agrícolas. "Esses são produtos destinados à alimentação diretamente ou à alimentação animal. Quando existe uma queda de renda o efeito é maior nos bens de consumo duráveis", afirma.Outro ponto favorável às exportações agrícolas do Brasil é que a China segue como um dos mercados mais importantes para os produtos brasileiros. Segundo Guedes, os chineses tendem a manter a trajetória de expansão do consumo com o acelerado processo de urbanização que está ocorrendo naquele país. "Por esses motivos não acredito que uma eventual queda na renda da economia mundial afete muito fortemente as exportações do Brasil", disse.Matéria ampliada às 16h11

Agencia Estado,

05 de setembro de 2006 | 14h30

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