Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

'Decisão sobre XP foi rigorosa demais', diz presidente do Itaú

Candido Bracher comentou sobre a condição determinada pelo Banco Central de que o Itaú não compre o controle da corretora pelos próximos oito anos

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

12 Setembro 2018 | 18h46

O presidente do Itaú Unibanco, Candido Bracher, admitiu, pela primeira vez, que a postura do Banco Central em relação ao investimento do banco na XP Investimento foi "rigorosa demais" ao restringir a compra do controle da corretora no futuro.

O modelo anterior do negócio desenhado pelos sócios, segundo ele, poderia até mesmo aumentar a concorrência no mercado de atuação da XP. "Mas cabe a nós acatar a decisão do Banco Central. Achamos que ainda vale a pena o investimento na XP", disse o presidente do Itaú, em reunião com analistas e investidores, na tarde desta quarta-feira, 12.

Também presente, o copresidente do conselho de administração do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, disse que o fato de a XP anunciar o Itaú como acionista ajudou a corretora, que passou a ter mais confiança para atrair clientes. "A operação deles vai muito bem embora não tenhamos mais o direito de, via uma call option, comprar o controle. Mudou a questão estratégica", reforçou Setubal.

Pelo desenho final, o Itaú foi autorizado a adquirir 49,9% do capital social da XP, mas se comprometeu a não comprar o controle da corretora pelos próximos oito anos. Com a restrição, as opções de venda por parte da corretora e aquisição pelo banco foram canceladas, com qualquer movimento sendo adiado para 2026.

Impacto do dólar

Roberto Setubal, que foi presidente do Itaú por mais de duas décadas, afirmou que o banco tem medidas de gestão para mitigar o impacto da variação do câmbio no seu capital e, consequentemente, na distribuição de dividendos aos acionistas. Em uma simulação, o dólar a R$ 5, conforme ele, não reduziria o capital do banco a partir dessas ações. O dólar já subiu mais de 25% ante o real em 2018, cotado a R$ 4,15 nesta quarta-feira.

"Em um cenário um pouco mais de estresse, o banco começa a tomar uma série de medidas procurando manter o nível capital elevado mesmo em situação de estresse, para permitir que continue solvente", explicou ele, em reunião com analistas e investidores.

De acordo com Setubal, o Itaú começa a se preparar muito antes para que o câmbio ou outra variável não afete "demasiadamente" o nível de capital do banco. Como o Itaú tem capital em reais e operações no exterior, algumas medidas, conforme ele, incluem a redução de exposições cambiais e a adoção de operações de hedge. "Temos capital e estamos bastante tranquilos para continuar distribuindo dividendos", destacou ele.

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