Decisões consideram movimento do 1º semestre, diz Copom

A manutenção da taxa básica de juros em 8,75% levou em conta os impactos sobre os indicadores econômicos

Fernando Nakagawa e Fabio Graner, da Agência Estado,

10 de setembro de 2009 | 09h41

A ata da reunião de setembro do Comitê de Política Monetária afirma que a decisão de manter a taxa básica de juros em 8,75% ao ano levou em conta "a magnitude do movimento total realizado de janeiro a julho, cujos impactos sobre diversos indicadores econômicos ficarão evidentes ao longo do tempo". Segundo o documento divulgado nesta quinta-feira, 10, no parágrafo 25, essa avaliação dos efeitos dos cortes de juros sobre a atividade vai acontecer em um contexto de "retomada paulatina" da utilização da capacidade de produção da economia. Na avaliação dos diretores do BC, uma postura mais cautelosa no presente vai contribuir para mitigar "o risco de reversões abruptas da política monetária no futuro e, assim, para a recuperação consistente da economia ao longo dos próximos trimestres".

 

O comitê também citou nesse trecho do texto que a preservação de perspectivas inflacionárias benignas vai requerer que "o comportamento do sistema financeiro e da economia sobre o novo patamar de taxas de juros seja cuidadosamente monitorado ao longo do tempo". Essa avaliação é idêntica à realizada na ata anterior do mês de julho.

 

Expectativa de inflação para 2009 e 2010 recua

 

As expectativas de inflação para 2009 e 2010 caíram desde a reunião de julho do Copom. A avaliação, que consta do trecho 18 da ata da última reunião do Copom divulgada nesta quinta-feira afirma que as projeções para os dois anos continuam em "patamares consistentes com a trajetória de metas e continuam sendo monitorados com particular atenção".

 

Nesse trecho do documento, os diretores do BC afirmam que a possibilidade de que pressões inflacionárias pontuais contaminem a economia é "limitada". O documento também afirma que "o comportamento da demanda doméstica deve exercer menos pressão sobre os preços dos itens não transacionáveis, como os serviços, nos próximos trimestres".

 

Ociosidade na produção não deve ser eliminada rapidamente

 

O diretores do Banco Central (BC) avaliam que a ociosidade observada na capacidade de produção da economia brasileira não deve ser eliminada rapidamente em um cenário classificado como "básico" de recuperação gradual da atividade. A avaliação consta da ata da reunião de setembro do Comitê de Política Monetária (Copom), que manteve o juro básico da economia em 8,75% ao ano.

 

De acordo com o trecho 24 do documento, os membros do Comitê afirmam que a acomodação da demanda e a contração da economia global parecem "estar arrefecendo". Nesses dois casos, o Copom avalia que há uma melhora dos indicadores "na margem".

 

Apesar dessa avaliação de reação da atividade, a ata reafirma que permanecem as incertezas sobre o ritmo de recuperação da atividade. Nesse quadro, a evolução da economia brasileira deve contribuir para conter eventuais pressões inflacionárias.

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