Decisões da UE representam vitória da Itália sobre Alemanha, dizem analistas

Chanceler alemã, que antes mantinha-se inflexível na sua intenção de reforçar a união fiscal e política do bloco, cedeu às pressões do primeiro-ministro da Itália, Mario Monti

Daniela Milanese, correspondente ,

29 de junho de 2012 | 14h44

LONDRES - A Itália venceu a Alemanha e obteve medidas mais expressivas para combater a crise do euro no curto prazo. Essa é a leitura de analistas sobre as definições da cúpula da União Europeia anunciadas.

Até então, a chanceler alemã, Angela Merkel, mantinha-se inflexível na sua intenção de reforçar a união fiscal e política do bloco antes de partir para outras iniciativas que pudessem dar alívio imediato. Entretanto, acabou se rendendo às pressões feitas principalmente pelo primeiro-ministro da Itália, Mario Monti.

"Essa concessão parece refletir particularmente a dura posição de Monti, que pressionou fortemente para conseguir algum muro de proteção para os países que fazem a lição de casa, mas não são recompensados pelos mercados", avalia Marco Valli, economista do UniCredit.

As medidas reduzem a pressão principalmente sobre a Itália e Espanha, membros da zona do euro que foram colocados na berlinda pelos investidores. "Monti conseguiu convencer a Alemanha a dar apoio para medidas de curto prazo", acredita Anders Lumholtz, analista do Danske Bank.

Segundo o site Spiegel Online, Monti parecia tão aliviado ao falar com os jornalistas hoje que até tratou de futebol e comentou a respeito da vitória da Itália sobre a Alemanha na semifinal da Eurocopa, ontem. "Como Monti não é muito fã de futebol, os jornalistas italianos viram seus comentários como uma verdadeira explosão emocional", aponta o site.

Supervisão comum dos bancos

As lideranças europeias anunciaram hoje a criação de um órgão supervisor comum para os bancos, com o envolvimento do Banco Central Europeu. Esse é o primeiro passo para a formação de uma união bancária.

Quando o esquema estiver funcionando, o fundo de resgate permanente (ESM) será autorizado a recapitalizar diretamente as instituições financeiras, sem passar pelos governos, mas com condicionalidades.

Foi confirmado que o resgate aos bancos espanhóis será feito pelo mecanismo de socorro atual (EFSF), sem a existência de senioridade, mesmo quando transferido ao sistema definitivo (ESM) - a decisão vale especificamente para o caso da Espanha. Isso significa que, numa eventual reestruturação de dívida, os credores privados não estarão subordinados aos oficiais, possibilidade que incomodava os investidores.

As autoridades também sinalizaram que poderão efetivamente usar o EFSF ou o ESM para comprarem títulos soberanos diretamente no mercado. Essa possibilidade já existe, mas ainda não foi utilizada. Os líderes se comprometeram a usar os mecanismos de resgate de forma "flexível e eficiente" para dar suporte aos países.

Também foram aprovados estímulos ao crescimento no valor de € 120 bilhões.

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