Decisões irritam governadores e políticos da base aliada

Postura independente incomoda e obriga Graça Foster a explicar medidas em reuniões com governadores

RIO , O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2012 | 03h08

A decisão da presidente da Petrobrás, Graça Foster, de adiar investimentos na construção das refinarias Premium 1 (Maranhão) e Premium 2 (Ceará), além de auditar o que já foi gasto e feito no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), irritou governadores e partidos políticos da base aliada do governo Dilma Rousseff.

Uma das qualidades da nova presidente da estatal, sempre destacada pelos seus defensores, é priorizar as ações técnicas, em detrimento das políticas. Justamente, dizem eles, o reverso de José Sérgio Gabrielli, fundador do PT da Bahia, onde fracassou, em 1990, na disputa do governo estadual.

Essa postura tida como independente incomoda o mundo político. Tanto que Graça precisou, nas duas últimas semanas, procurar os governadores dos Estados onde a Petrobrás tem planejado grandes empreendimentos. O primeiro deles foi Roseana Sarney (PMDB). No Maranhão, deputados reclamaram da decisão de adiar os investimentos na Premium 1.

Graça foi recebida pela governadora no Palácio dos Leões, em São Luís, no dia 10. Após o encontro, em comunicado, a estatal informou que construir a refinaria "é essencial para que a Petrobrás possa atender à crescente demanda de combustível no País". No dia seguinte, Graça recebeu na sede da petroleira, no Rio, o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB). Mais uma vez, após a reunião, a estatal divulgou que a construção da Premium 2 "é fundamental para equilibrar oferta e demanda de combustíveis".

Lula. Gomes não falou sobre o encontro ao Estado. Políticos ligados ao governador cearense divulgaram a versão de que, inconformado com a declaração de Graça sobre a refinaria, telefonou ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em cujo governo a refinaria foi anunciada.

Lula, segundo a versão difundida por aliados do governador, o teria tranquilizado, avisando que Graça ligaria para se explicar. Nem o governo cearense nem a Petrobrás confirmam a versão. Mas o fato é que Graça telefonou para o governador na segunda-feira, 9 de julho.

O último encontro ocorreu anteontem no Palácio Laranjeiras, uma das sedes do governo do Rio. A presidente da Petrobrás disse ao governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) que o projeto do Comperj está em curso e apresentou nova data para início de operação da refinaria: abril de 2015.

"Todas as refinarias, em avaliação ou em construção, são igualmente importantes para a Petrobrás. E todas estão no Plano de Negócios 2012-2016", disse ela durante o encontro, segundo comunicado da Petrobrás.

Em ano eleitoral, não é aconselhável para o governo brigar com governantes de partidos aliados, como PMDB e PSB. Talvez tenha sido esse o recado passado a Graça Foster por assessores diretos da presidente Dilma Rousseff. Ao assumir, ela já desagradara políticos e partidos ao demitir os diretores Paulo Roberto Costa (Abastecimento), Jorge Zelada (Internacional) e Renato Duque (Engenharia). Todos tinham amparo político e ocupavam os cargos desde a gestão de José Sérgio Gabrielli. / S.T.

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