Andre Dusek/Estadão
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Decisões sobre corte de juros no Brasil e nos EUA devem conduzir mercado nesta quarta

O Banco Central anuncia no fim do dia um esperado corte na taxa Selic; a dúvida é se a redução será de 0,25 ou de 0,50 ponto porcentual

O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2019 | 08h34

As definições sobre corte de taxas de juros nos Estados Unidos e no Brasil devem conduzir os negócios no mercado financeiro nesta quarta-feira, 31. Às 15h, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) anuncia sua decisão sobre a política monetária do país - o mercado espera um corte de 0,25 ponto porcentual, dos atuais 2,25% para 2,50% ao ano.

No Brasil, as atenções estão voltadas para o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, mas a reação à decisão, que será divulgada depois das 18h, só será vista na quinta-feira.

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O tamanho do corte

O BC se prepara para anunciar o primeiro corte da Selic, a taxa básica de juros, após 16 meses. Com a inflação sob controle e a aprovação da reforma da Previdência em primeiro turno na Câmara, a maior parte do mercado financeiro espera por uma redução da taxa, atualmente em 6,5% ao ano. A dúvida é se o BC optará por um corte de 0,25 ou de 0,50 ponto porcentual.

A aposta de um BC mais agressivo para fazer frente à economia fraca ganhou força após o IPCA-15 de julho ter ficado em 0,09%, abaixo da mediana do mercado.  

Agenda do dia inclui divulgação de taxa de desemprego

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) - Contínua de junho, com a taxa de desemprego do segundo trimestre, às 9h. As expectativas de 28 economistas para a taxa de desemprego do País variam deve de 11,90% a 12,20%, sem ajuste sazonal, de acordo com o Projeções Broadcast. No trimestre encerrado em maio, a taxa ficou em 12,30% e, no segundo trimestre do ano passado, em 12,40%

O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, reúne-se com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente Jair Bolsonaro, às 15h30. Na pauta estão discussões sobre o acordo sobre açúcar e a compra de etanol pelos EUA.

CSN tem lucro maior que o esperado

Entre os balanços do segundo trimestre previstos para esta quarta estão os da Vale e BR Distribuidora.

Nesta terça-feira, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) reportou lucro líquido de R$ 1,894 bilhão no segundo trimestre, alta de 60% em relação ao observado no mesmo intervalo do ano passado. O montante é quase 14 vezes superior ao lucro do primeiro trimestre e ficou bem acima das projeções de mercado.

Cenário externo

O Fed anuncia a esperada decisão sobre sua política monetária, às 15h, seguida de entrevista coletiva do presidente da instituição, Jerome Powell. Até lá os mercados devem ficar em compasso de espera e mais na defensiva, como é o caso das Bolsas europeias. 

Os mercados futuros de Nova York mostram fôlego moderado após a Apple apresentar lucro no terceiro trimestre fiscal maior que o previsto - nesta manhã, as ações da empresa subiam mais de 4%. 

O Senado norte-americano pode votar nesta quarta o acordo orçamentário, que suspende o teto do endividamento federal em dois anos já aprovado na Câmara dos Representantes. 

O desenrolar da guerra comercial

As delegações dos Estados Unidos e da China terminaram a primeira rodada de negociações comerciais iniciada em Xangai sem dar declarações sobre se houve progresso rumo a um acordo. A reunião terminou cerca de 40 minutos antes do previsto. Nesta terça, o presidente americano, Donald Trump, criticou os chineses que, segundo ele, sempre voltam atrás quando se aproximam de um acordo bilateral.

De olho nessas negociações, as Bolsas da Ásia fecharam em queda nesta quarta-feira, também aguardando a decisão do Fed.

Na Bolsa de Tóquio, o índice Nikkei caiu 0,86%. Em solo chinês, o Xangai Composto recuou 0,67%, enquanto o menos abrangente Shenzhen Composto terminou o pregão em queda de 0,68%. Já na Bolsa de Seul, o índice Kospi caiu 0,69%, tendo ampliado perdas pontualmente após o balanço da Samsung mostrar queda de 53% no lucro líquido no segundo trimestre.

Dólar mantém valorização

A libra recuou ante o dólar ao nível mais baixo em mais de dois anos nesta terça-feira, pressionada pela percepção de maior risco de uma saída do Reino Unido da União Europeia (UE) - o Brexit - sem acordo com o bloco econômico. 

O índice DXY, que mede a força do dólar ante uma cesta de seis divisas fortes, fechou a terça em alta de 0,01% aos 98,050 pontos. / Luciana Xavier, Silvana Rocha eBruno Caniato

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