DIDA SAMPAIO/ESTADAO
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'Declaração de Guedes não influencia, vamos continuar firmes na reforma', diz relator

Ministro da Economia falou em entrevista a revista que vai renunciar se Previdência virar ‘reforminha’; para Samuel Moreira, afirmação não coloca mais pressão sobre o Parlamento

Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2019 | 17h22

BRASÍLIA - O relator da reforma da Previdência na comissão especial da Câmara, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), afirmou nesta sexta-feira, 24, que as declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, não alteram "em nada" a tramitação da proposta.

O ministro afirmou à revista Veja que iria embora do País caso a reforma da Previdência aprovada pelo Congresso vire uma ‘reforminha’, o que foi interpretado como uma possibilidade de ele deixar o cargo nessa hipótese. “Pego um avião e vou morar lá fora. Já tenho idade para me aposentar”, disse ele, segundo a reportagem. “Se não fizermos a reforma, o Brasil pega fogo. Vai ser o caos no setor público, tanto no governo federal como nos Estados e municípios”, afirmou.

Moreira disse considerar Guedes uma "pessoa de espírito público e de bons diagnósticos", mas afirmou que o caso se trata de uma conversa entre o ministro e o presidente Jair Bolsonaro.

"Acho que (a declaração) não contamina (a tramitação da reforma). Aliás, essa é uma conversa talvez dele com o presidente", afirmou o relator. "O presidente é o dono do cargo, faz o que quiser com o Paulo Guedes. Eu considero o Paulo Guedes alguém com espírito público, ele tem bons diagnósticos", afirmou o relator.

O tucano destacou que a Câmara vai cumprir a sua responsabilidade de aprovar uma reforma da Previdência e voltou a defender a meta de economia de R$ 1 trilhão em dez anos, compartilhada pelo ministro Paulo Guedes.

"Sempre tivemos a meta de mais de R$ 1 trilhão por convicção. Coincidiu com a meta do governo, ela é coerente. Vamos continuar perseguindo esta meta, não vamos abrir mão. Ela é importante para o equilíbrio das contas do governo", afirmou.

Mais pressão

Moreira descartou ainda a possibilidade de as declarações de Guedes colocarem mais pressão sobre o Parlamento pela aprovação da mudança nas regras de aposentadoria e pensão no País. "Vamos cumprir a nossa parte, independente do que o governo está pensando. Lógico que queremos o governo conosco, o governo tem votos e uma PEC precisa de votos", disse.

Ele defendeu ainda que o governo contribua "de maneira republicana" conversando com os parlamentares e buscando votos. "A reforma não é do Paulo Guedes, do Samuel Moreira ou do Rodrigo Maia. A reforma é do Brasil."

Na entrevista à revista, Guedes frisou que, se os parlamentares aprovarem algo com uma economia menor do que R$ 800 bilhões, seria um remendo da velha Previdência que está falida e ele iria embora. "Deixa eu te falar um negócio que é importante. Eu não sou irresponsável. Eu não sou inconsequente. Ah, não aprovou a reforma, vou embora no dia seguinte. Não existe isso. Agora, posso perfeitamente dizer assim: 'Olha, já fiz o que tinha de ter sido feito. Não estou com vontade de ficar, vou dar uns meses, justamente para não criar problemas, mas não dá para permanecer no cargo'. Se só eu quero a reforma, vou embora para casa. Se eu sentir que o presidente não quer a reforma, a mídia está a fim só de bagunçar, a oposição quer tumultuar, explodir e correr o risco de ter um confronto sério… pego o avião e vou morar lá fora".

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