Declaração de O´Neill causa mal-estar entre brasileiros

As declarações feitas ontem pelo secretário de Tesouro dos Estados Unidos, Paul O´Neill, de que as taxas de juros elevadas no Brasil são reflexo do medo dos investidores com a corrupção e o desrespeito às leis no País, causaram um grande mal-estar entre as autoridades brasileiras presentes no Fórum Econômico Mundial, em Nova York. Pelo tom das reações, os comentários de O´Neill abriram uma nova fissura na relação entre os dois países."Foi uma grande derrapada de O´Neill", rebateu o presidente do Banco Central, Armínio Fraga. Para ele, os comentários do secretário de Tesouro norte-americano traduzem visão limitada e injusta sobre a realidade brasileira. Já o governador do Ceará, Tasso Jereissati, criticou veementemente a postura de O´Neill, lembrando as suspeitas que recaem sobre a Casa Branca (sede do governo dos EUA) de favorecimento da Enron, gigante energética norte-americana em processo de concordata. "Os Estados Unidos estão enfrentando uma crise sem precedents de credibilidade com o caso Enron", disse Jereissati. "Nesse momento, o Brasil pode dar lição a muitos países, inclusive aos mais ricos, em termos de transparência nas suas contas", acrescentou.Outro que não perdoou as declarações de O´Neill foi o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Lafer. "Não há como falar em corrupção, quando todos assistem aos conflitos de interesses que unem o governo dos Estados Unidos e a Enron", afirmou. "Foi no mínimo uma falta de diplomacia (o comentário de O´Neill)", reagiu Lafer.Já o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, mandou um recado para os Estados Unidos. "Esse país é extremamente protecionista, sobretudo na área agrícola. Para o governo norte-americano, livre comércio só existe nos livros de economia", afirmou. "Chegou a hora de botarmos os pingos nos is", disse Pratini.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.