Declaração de Stephanes enfraquece Amorim em Doha, diz CNA

Para assessor da Confederação, demais negociadores poderão se sentar à mesa e questionar o chanceler

Fabíola Salvador, da Agência Estado,

24 de julho de 2008 | 14h10

O assessor técnico da Comissão Nacional de Comércio Exterior da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Matheus Zanella, disse nesta quinta-feira, 24, que as declarações do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, "atrapalham, enfraquecem a posição do ministro das Relações Exteriores Celso Amorim nas negociações" na Rodada Doha na Organização Mundial do Comércio (OMC).  Veja também:Rodada Doha: entenda o que está em jogo em Genebra'Não acredito em Doha', diz StephanesBrasil quer benefícios para etanol na Rodada DohaDiretor da OMC reduz grupo de negociação de Doha a 7 países  Em entrevista ao Estado, o ministro afirmou que a Rodada Doha "não servirá para nada" e que a expansão da demanda por alimentos provocará inevitavelmente a liberalização dos mercados agrícolas, além da redução dos subsídios dos países mais ricos ao setor. Para Zanella, os demais negociadores poderão se sentar à mesa e questionar o ministro Amorim sobre a importância que o Brasil dá para esta negociação. "Eles vão perguntar: para que insistir na redução de subsídios se o próprio ministro da Agricultura do Brasil pensa diferente", afirmou Zanella, que acompanha em Genebra a reunião da OMC. Segundo ele, a avaliação do ministro ao Estado foi vista "com maus olhos" pela iniciativa privada.  O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), disse que a posição do ministro Stephanes é "louvável". Mas observou que a conclusão da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio pode trazer benefícios para o País a longo prazo. "Esta é uma negociação que poderá trazer resultados permanentes. Neste momento, os preços dos alimentos estão em alta, mas quando eles recuarem o fim dos subsídios será uma vantagem para o Brasil", disse o Senador. O representante da CNA concorda com a avaliação do senador e disse que a conclusão da rodada e a conseqüente redução do subsídio são fatores favoráveis à agricultura brasileira. Ele lembrou que os preços dos alimentos tendem a cair e que então os Estados Unidos destinarão mais recursos aos subsídios, prática que pode ser minimizada com o sucesso da rodada. Segundo Mateus, a declaração de Stephanes foi "equivocada" e se baseou numa visão "imediatista".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.