Defasagem de preços cresceu, afirma Graça

Presidente da Petrobrás evita dar o porcentual de prejuízo, alegando 'muitas variáveis a analisar', mas reconhece que o dólar mais alto piora a situação

WELLINGTON BAHNEMANN, SABRINA VALLE / RIO, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2013 | 02h07

A presidente da Petrobrás, Maria das Graças Foster, voltou a negar reajuste de preços dos combustíveis no curto prazo. A executiva admitiu que a defasagem dos preços em relação ao mercado internacional piorou nos últimos três dias por causa da alta do dólar, mas preferiu não definir uma data para o repasse. "A gente trabalha pela convergência de preços."

A executiva participou ontem à tarde de coletiva de imprensa como parte das comemorações, na sede da estatal, no Rio, pelos 60 anos da empresa. Ela participaria do evento pela manhã, mas foi convocada a Brasília para reunião com a presidente Dilma Rousseff e o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, em Brasília. "Não discutimos combustíveis", disse, declinando de informar a pauta do encontro.

Questionada sobre qual seria hoje a defasagem entre os preços, Graça evitou dar o porcentual, argumentando que esse número depende de uma série de variáveis. Apesar da piora na defasagem, ela disse que o resultado operacional da Petrobrás é "muito bom" no terceiro trimestre, usando como exemplo um menor volume de importação de combustíveis.

O projeto de quatro refinarias, com orçamento elevado, também foi tema no encontro com a imprensa. Duas delas foram iniciadas na gestão anterior. O Comperj, no Rio, custará R$ 26,6 bilhões na área de refino e está com 60% das obras prontas, disse. Abreu e Lima, em Pernambuco, teria parceria nunca concretizada com a PDVSA e está orçada em US$ 17 bilhões - um exemplo de custo excessivo que, insiste, espera não repetir. A PDVSA bancaria 40% da obra, mas não tem os recursos para o aporte. "Oficializamos que a única proposta aceitável é 40% em dinheiro", disse.

Graça informou que espera incluir no próximo plano quinquenal (2014-2018), no ano que vem, as duas refinarias que ainda não saíram do chão e estavam "congeladas": as Premium (combustível para exportação) do Maranhão e do Ceará.

Os projetos foram suspensos no ano passado por Graça por estarem com custos altos e baixa rentabilidade, gerando queixas dos governos locais, que esperavam investimentos. A executiva disse que os projetos passaram, finalmente, a ser rentáveis após revisões de uma consultoria americana que tirou redundâncias e reduziu o tamanho das unidades, economizando, por exemplo, em tubulação.

Graça disse estar em negociação de parceria com a chinesa Sinopec para a unidade do Maranhão, numa iniciativa que poderia se estender à do Ceará. A Sinopec terá um projeto próprio para a unidade, que competirá com o da Petrobrás.

Ela anunciou que a empresa aprovou um projeto anticorrupção. Um dos objetivos é evitar obras superfaturadas. Nas palavras da presidente, evitar "brechas para ações que não trazem mérito para a companhia."

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