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Defender mercado é necessário, mas sem fechar a economia, diz Pimentel

'Não estou falando de voltar a práticas protecionistas do século 19 e 20. Estou falando de defender o mercado de práticas predatórias e de comportamentos ilegais e fraudulentos', disse ministro

Agência Estado,

23 de março de 2012 | 18h55

BRASÍLIA - O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, disse hoje que o Brasil precisa defender o mercado nacional sem fechar a economia e sem medidas protecionistas, mas afastando práticas predatórias e comportamentos ilegais e fraudulentos. "Fechar a economia seria um retrocesso. A economia brasileira tem que estar aberta e exposta à competição", disse. O posicionamento foi apresentado durante entrevista concedida nesta sexta-feira, 23, a correspondentes estrangeiros. Os principais pontos dessa entrevista coletiva foram divulgados há pouco em nota distribuída pela assessoria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Pimentel destacou que o governo federal trabalha atualmente com três desafios: defender o mercado nacional, proteger o real e aumentar a produtividade do trabalhador brasileiro. "Temos que defender o mercado brasileiro, sem fechar a economia. Não estou falando de voltar a práticas protecionistas do século 19 e 20. Estou falando de defender o mercado de práticas predatórias e de comportamentos ilegais e fraudulentos", disse Pimentel na entrevista.

De acordo com o ministro, a crise internacional, ao afetar mercados tradicionais como Estados Unidos e União Europeia, aumentou a cobiça pelos mercados dos países emergentes. "Diante desse cenário, é necessário aumentar a defesa comercial, sempre, porém, de acordo com as regras da Organização Mundial de Comércio", afirmou.

Sobre a defesa da moeda nacional, Pimentel disse que essa ação precisa ser executada "sem que isso signifique em aumento de inflação". Ele criticou a política de expansão monetária norte-americana e da União Europeia, dizendo que esse movimento resulta "num efeito perverso de valorização das moedas dos países emergentes". "É preciso evitar que o real se valorize demais, mas não podemos fazer isso de forma muito arrojada para evitar um impacto inflacionário. É um equilíbrio sensível", declarou o ministro.

Pimentel disse que o aumento da produtividade do trabalho precisa ser obtido, mas sem ferir os direitos trabalhistas. Ele lembrou que o desenvolvimento econômico brasileiro está associado ao desenvolvimento social e garantiu que isso será mantido. O ministro argumentou que, com a crise internacional, alguns países estão reduzindo os direitos trabalhistas. "O capital criou essa crise e agora quer que o trabalho pague. Não é justo, e não é esse o caminho que o Brasil vai seguir", disse.

Também foi abordada na entrevista a realização da quarta cúpula do BRICS (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), em Nova Délhi, no dia 29 de março. O ministro disse que o governo brasileiro "estuda com simpatia" a proposta de criação de um banco de desenvolvimento composto pelos bancos centrais dos países do bloco. "Está em estágio inicial e não aprofundamos ainda nos detalhes operacionais, mas acho que podemos avançar nesta proposta durante esta reunião", declarou.

O ministro também falou sobre a visita de Dilma Rousseff aos Estados Unidos, marcada para abril. Ele ressaltou que o governo brasileiro quer discutir os reflexos da expansão monetária do dólar. Ao falar sobre a China, Pimentel disse acreditar na possibilidade de utilização das moedas locais nas trocas comerciais. "Vemos com simpatia, mas achamos que só será utilizado com países que tenham um volume significativo de comércio, que é o caso da China", afirmou.

Sobre a revisão do acordo automotivo com o México, Pimentel disse ter ficado surpreso com críticas que foram feitas a esse processo. "Não houve quebra de regras e nenhuma ruptura. Foi uma negociação comercial normal. É uma relação comercial ótima. Os mexicanos irão continuar a vender automóveis para o Brasil e nós também vamos continuar a vender para eles", disse.

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