Defesa chama executivo de fundo de Abu Dabi

A Justiça Federal do Rio informou os nomes das testemunhas que serão ouvidas na próxima audiência do caso em que o empresário Eike Batista é réu sob a acusação de uso de informação privilegiada e manipulação de mercado. A sessão está marcada para 10 de dezembro. Representante de acionistas minoritários da OGX, o advogado Marcio de Melo Lobo foi convocado pela acusação.

Mariana Durão, Mariana Sallowicz, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2014 | 02h03

Pelo lado da defesa serão ouvidos Oscar Falhgren, executivo do fundo soberano Mubadala, de Abu Dabi, o gerente executivo de reservatórios e reservas da OGX, Armando Ferreira, e José Firmo, presidente no Brasil da Schlumberger.

Nos próximos três dias a defesa poderá indicar mais duas testemunhas. Isso porque parte dos nomes arrolados no processo é ré em outras ações.

É o caso dos ex-executivos da OGX Paulo Mendonça e José Roberto Faveret. A defesa pediu a substituição do diretor de produção da OGX, Reinaldo Belotti; em seu lugar, entrou Falhgren. Os advogados desistiram de ouvir também os ex-diretores Luiz Eduardo Carneiro e Roberto Monteiro.

O Mubadala é dono de uma dívida de US$ 2 bilhões com o grupo de Eike Batista. Seu depoimento pode ser importante porque a defesa do empresário tenta comprovar que ele vendeu ações para honrar compromissos com credores, e não para obter lucros com uso de informação privilegiada.

Já a Schlumberger foi contratada pela OGX depois que um relatório da área de reservatórios da empresa, de 2011, apontou que os campos de petróleo Tubarão Tigre, Tubarão Areia e Tubarão Gato "sinalizavam volumes e compartimentação muito diferentes da interpretação inicial". Em julho de 2013, a petroleira informou a inviabilidade econômica dos campos.

Segundo relatório da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Schlumberger confirmou a redução do fator de recuperação de óleo de 20% para 7,3%. O estudo mostrou que o projeto exigia aporte de US$ 4 bilhões que, combinado à baixa curva de produção, resultava num valor presente líquido negativo de mais de US$ 1 bilhão.

As análises da Schlumberger foram apresentadas à diretoria da OGX em setembro de 2012. A avaliação da CVM foi que, como controlador, Eike conhecia os dados não divulgados aos demais investidores.

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