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Defesa de Doha por Brasil poderá ferir Mercosul, diz Argentina

Segundo jornal 'La Nación' queixa deve ser apresentada em reunião em Brasília.

Marcia Carmo, BBC

27 de novembro de 2008 | 10h45

Na reunião do Grupo Mercado Comum (GMC) do Mercosul, nestas quinta e sexta-feiras, em Brasília, a Argentina deve advertir que o Brasil pode "provocar danos" no bloco se mantiver sua postura atual a favor da Rodada Doha de liberalização de comércio mundial, segundo informa o jornal argentino La Nación.Espera-se que esta queixa formal seja feita pelo secretário de relações econômicas internacionais, embaixador Alfredo Chiaradia. Na semana passada, em entrevista à BBC Brasil, ele já antecipara a decisão argentina de reclamar nesta reunião que a base do Mercosul - Tarifa Externa Comum (TEC) - será afetada se o Brasil concordar com a abertura na área industrial.Chiaradia havia afirmado ainda que a Argentina só aceitará o acordo da Rodada Doha se os países desenvolvidos fizerem concessões, como a redução de barreiras tarifárias e cortes nos subsídios agrícolas, com postura que vai contra às pretensões do Brasil, que defende a conclusão das negociações antes do final do ano."Um acordo sem concessões não será possível", disse Chiaradia. Ele ainda destacou que o Brasil é "o mais forte defensor" da conclusão das negociações. Mas fez uma ressalva: "Na Argentina, não vamos acompanhar nenhum acordo que não nos favoreça. E também sabemos que uma defesa muito forte (destes termos da Rodada Doha) afetaria o Mercosul (...) Se um país do Mercosul (a partir de Doha) reduzir a TEC (Tarifa Externa Comum), provocará a deterioração do bloco".No entendimento de Chiaradia, principal negociador da Argentina para temas de comércio internacional, se um país aceitar a Rodada Doha como ela está, permitirá maior abertura para entrada de produtos industriais de outros países e blocos no Mercosul, desrespeitando a TEC.BeneficiadoUma fonte do Palácio do Planalto informou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não pretende mudar sua atitude sobre Doha, a partir das advertências da Argentina."O Brasil é o principal beneficiado da Rodada Doha. O Brasil tem uma agroindústria competitiva e um setor industrial forte. Se chegarmos a ter alguma perda na área industrial, esta poderá ser compensada pelos resultados na agroindústria", antecipou.Por sua vez, o governo da presidente argentina Cristina Kirchner interpreta que a indústria nacional seria "fortemente afetada" se concordasse com os termos atuais da Rodada Doha.Nesta semana, líderes da indústria local agradeceram a postura argentina publicamente - "por proteger nossa indústria". Os dois países assinaram o documento final da reunião do G20, há 15 dias, em Washington, concordando que a finalização da Rodada Doha contribuiria para enfrentar a crise financeira internacional.No entanto, dois dias mais tarde, numa reunião em Buenos Aires, autoridades da área industrial dos dois governos anunciaram o aumento da TEC para vários produtos, como vinhos e laticínios, entre outros.Pouco depois, de Brasília, o secretário Walter Barral, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, disse que o aumento destas barreiras para estes produtos é uma "questão pontual" e não altera a postura brasileira e do Mercosul.A reunião destas quinta e sexta-feira em Brasília antecede o encontro semestral da cúpula do bloco, em dezembro, em Salvador.O GMC (Grupo Mercado Comum) reúne os representantes dos Ministérios de Relações Exteriores e da área econômica (Fazenda ou Economia, dependendo de cada país). Cargos que estão logo abaixo dos ministros destas pastas. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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