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Defesa do tripé é tentativa de retomar a credibilidade

CENÁRIO:

O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2013 | 02h05

Francisco Carlos de Assis e Gustavo Porto

Mais do que uma resposta à provocação da ex-senadora Marina Silva (PSB), a defesa veemente feita pela presidente Dilma Rousseff do tripé econômico - formado pela geração de superávit primário, câmbio flutuante e metas para a inflação - é uma tentativa de reconquistar a credibilidade do governo junto a empresários e investidores do mercado financeiro, segundo analistas ouvidos pelo Broadcast. O recado teve ainda data certa para ser dado: às vésperas dos leilões do campo de Libra do pré-sal e de outras concessões rodoviárias, ferroviárias e de aeroportos.

Essa volta à teoria dos fundamentos anteriores ao governo Dilma se distingue de discursos sobre uma "nova matriz macroeconômica" proferidos pela própria presidente, pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, e pelo secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Marcio Holland. Este último disse, no último dia 14 de agosto, que a estratégia de política econômica do governo tem sido focada em promover a competitividade "através de redução de custo generalizados" e que o governo estava mantendo "o tripé econômico, mas com nova matriz macroeconômica".

Carlos Melo, cientista político e professor do Insper, acredita que essa defesa do tripé em tempos de disputa eleitoral tem os dois lados, recuperar credibilidade no mercado para retomar investimentos e poder enfrentar melhor os adversários políticos em 2014. "A questão é econômica, sobretudo no mercado financeiro onde a fase da desconfiança já passou e a fase é da reação. Se mais de 18 anos depois, a presidente precisa reafirmar (o tripé) é porque a desconfiança significa uma possível perda de capital político", disse Melo. "Dilma vai a Nova York (ONU), não se encontra com Obama (Washington), mas faz conversa no Goldman Sachs para reafirmar aos investidores essa posição. Quer exemplo maior (de desconfiança) do que esse?", completou.

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