Deficiências internas prejudicam exportações no País, diz embaixador

O diretor geral do Departamento de Promoção Comercial doItamaraty, embaixador Mario Vilalva, afirmou que o problema do comércio exterior do Brasil é interno e não externo. O embaixador, que participou de um almoço em São Paulo organizado pela Associação de Empresas Brasileiras para a Integração de Mercados (Adebim), disse que os maiores entraves para as exportações brasileiras são a carga tributária, a falta de financiamento, a ausência de seguros de crédito e as falhas na área de logística (infra-estrutura para o escoamento dos produtos)."Se o Brasil conseguir atacar esses quatro problemas, vocês verão como nossas exportações vão aumentar", disse o diplomata a mais de 40 empresários. Perguntado se essas declarações eram uma autocrítica à atual gestão, que não consegui resolver esses entraves que elevaram o chamado custo Brasil, o embaixador respondeu que "todos no governo, inclusive o presidente Fernando Henrique Cardoso, estavam cientes disso". "De que adianta", acrescentou o embaixador, "fazer promoção comercial de produtos brasileiros lá fora se aqui dentro não há inanciamento para fechar as operações". E mais, Vilalva exemplificou ainda o peso do custo Brasil nos investimentos externos diretos (IED, sigla em inglês). "No ano passado, encomendei ao Banco Mundial (Bird) que fizesse um estudo sobre o impacto das barreiras técnicas, administrativas, políticas e judiciais nos investimentos. Resultado, no ano 2000, quando o Brasil recebeu US$ 33 bilhões em investimentos diretos, esses recursos poderiam ter sido no mínimo US$ 50 bilhões não fossem esses problemas", afirmou.O embaixador disse ainda que o grande desafio do País é atrair investimentos para o setor produtivo, já que, até agora, os recursos externos captados ficaram concentrados no setor de serviços. "Claro que esse dinheiro é bem-vindo, mas o problema é que as empresas desses setores não geram emprego e muito menos exportações." Vilalva não poupou nem o mercado (financeiro) de suas críticas. De acordo com ele, a desvalorização do real ajudou sim a ampliar as exportações, como também teve efeitos na substituição das importações, pregada hoje por alguns candidatos à Presidência da República."O problema do câmbio é a volatilidade, provocada por uma instituição que no tem cara nem corpo, mas cujo nome é ´mercado´, que é ganancioso e especulativo", atirou o embaixador. Para ele, o peso das eleições em toda essa volatilidade do câmbio, que fez disparar o dólar nos últimos dias para patamares próximos a 3,45 reais, é mínimo. "O maior responsável por tudo isso é o mercado, que concentra um bando de especuladores", reafirmou o embaixador.

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