Déficit cambial diminui, mas ajuste deve ser menos intenso

O déficit em transações correntes foi de US$ 13,5 bilhões nos primeiros nove meses do ano e de apenas US$ 465 milhões em setembro, o menor para o mês desde 2007 e inferior ao esperado pelos agentes econômicos

O Estado de S. Paulo

01 Novembro 2016 | 03h09

O déficit em transações correntes foi de US$ 13,5 bilhões nos primeiros nove meses do ano e de apenas US$ 465 milhões em setembro, o menor para o mês desde 2007 e inferior ao esperado pelos agentes econômicos. Mas dependeu principalmente do comércio exterior. Em razão da fraqueza do comércio internacional e da valorização do real, é previsível que o ritmo do ajuste perca intensidade no final do ano e em 2017 – em especial se o ritmo interno da atividade melhorar.

A velocidade do ajuste foi extraordinária nos últimos dois anos. O déficit corrente em 12 meses chegou a 4,51% do PIB em março de 2015 e declinou sem interrupção desde então. Fechou o ano em 3,33% do PIB, chegando a 1,31% do PIB em setembro. No mês passado, foi de US$ 23,2 bilhões em 12 meses e se aguarda nova queda até dezembro, para US$ 18 bilhões, segundo o Banco Central, ou US$ 22 bilhões, segundo agentes privados.

Os investimentos externos diretos foram de US$ 5,2 bilhões em setembro e de US$ 73,2 bilhões em 12 meses (ou 4,12% do PIB), financiando com folga o déficit corrente.

O ajuste afasta os riscos cambiais por um bom período à frente e não será empecilho à retomada da atividade. Mas a magnitude de alguns dados conjunturais só se explica pelo câmbio e pela recessão. Por exemplo, entre os primeiros nove meses de 2015 e de 2016, os investimentos diretos do Brasil no exterior caíram de US$ 11,8 bilhões para US$ 6,6 bilhões. E, em igual período, os lucros e dividendos remetidos para fora pelas multinacionais baixaram de US$ 11 bilhões para US$ 7,6 bilhões.

O déficit de viagens internacionais, que mede as despesas com turismo, caiu de US$ 9,8 bilhões para US$ 5,8 bilhões entre 2015 e 2016. Mas subiu US$ 77 milhões entre agosto e setembro, para US$ 851 milhões. E atingiu US$ 734 milhões até o dia 21/10. Com o dólar desvalorizado, os brasileiros voltam a viajar.

Déficits correntes não são sinais de doença cambial, desde que financiados adequadamente. Dados sugerem que voltarão a crescer em 2017.

Entre 2015 e 2016, o déficit corrente até setembro caiu de US$ 49,2 bilhões para US$ 13,5 bilhões (-US$ 35,7 bilhões). Desse total, US$ 7,3 bilhões decorreram do pagamento de serviços, como aluguéis de equipamentos, e US$ 25,2 bilhões vieram do comércio exterior, não pelo aumento do valor das exportações, mas pela fraqueza das importações. É improvável que esse cenário se repita em 2017.

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